
Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Por Henrique Ferian
Três Lagoas (MS) — O palco do anfiteatro do Campus II da UFMS se prepara para receber, no dia 8 de agosto, a estreia da peça Lisístrata – Uma luta feminina Pela Paz, com produção do grupo Ato Histórico Companhia Teatral. A montagem promete arrancar risadas do público enquanto levanta importantes reflexões sobre o papel da mulher na sociedade.
Durante entrevista à rádio Jovem Pan Três Lagoas, os atores Vito de Ramos e Victória Oliveira falaram sobre os bastidores, os desafios da produção e a expectativa para as quatro apresentações programadas.
A peça é uma adaptação moderna da obra clássica de Aristófanes, escrita em 411 a.C., que continua surpreendentemente atual. A trama gira em torno de uma greve organizada por mulheres, como forma de pôr fim a uma guerra, e utiliza o humor para criticar e expor questões sociais.
“Ainda que seja uma comédia, o conteúdo é forte, necessário e fala muito sobre a importância da mulher além do espaço doméstico. É uma peça que provoca e faz pensar”, explica Victória.

Para Vito, que também é produtor cultural, adaptar uma obra da Grécia Antiga para o contexto atual foi um grande desafio. “O texto é complexo e a linguagem exigiu muito preparo. A gente precisou estudar bastante para garantir que a peça fosse compreendida e mantivesse sua essência”, disse.
Segundo os atores, os ensaios começaram em abril, com apoio da professora Dolores Puga, coordenadora do projeto de extensão da UFMS que deu origem à montagem. A escolha de Lisístrata se deu após discussões internas no grupo, que optou por uma peça cômica com forte mensagem social.
Com cerca de 35 atores e mais de 40 pessoas envolvidas nos bastidores, a produção foi viabilizada por meio de fomentos da Lei Aldir Blanc, o que permitiu a melhoria na qualidade da encenação e estrutura técnica. As produções anteriores, segundo Vito, foram realizadas com recursos próprios.
A peça conta com figurinos que remetem à Grécia Antiga, cuidadosamente planejados para alinhar visualmente com os personagens e a iluminação cênica, que também terá papel narrativo. “Tem toda uma pesquisa por trás. Cada cor e cada tecido foram escolhidos para se encaixar no personagem e na atmosfera da peça”, afirma Victória.
Um diferencial da montagem será a interação com a plateia. Apesar do mistério em torno dos detalhes, os atores confirmaram que há momentos de quebra da chamada “quarta parede”, aproximando ainda mais o público da narrativa.
“Queremos que a plateia ria, se emocione e participe. Quanto mais perto o público estiver da gente, maior será a conexão”, comenta Vito.
Embora Três Lagoas ainda não tenha um teatro tradicional, o anfiteatro do Campus II da UFMS oferece estrutura suficiente para a apresentação. A acústica é elogiada pelos atores, que ressaltam a importância do preparo vocal para garantir que todos os espectadores compreendam bem o espetáculo.
“Mesmo com um espaço improvisado, a dedicação dos atores em projetar a voz e se preparar faz toda a diferença. O objetivo é que todos não apenas ouçam, mas sintam a mensagem da peça”, completa Vito.
A diretora e professora Dolores Puga destacou a importância do Ato Histórico, projeto de extensão que une teatro, educação e cultura. Desde 2023, a iniciativa leva temas das ciências humanas a estudantes da rede pública e culmina com montagens teatrais encenadas por alunos e acadêmicos.
“O teatro grego é uma ferramenta rica para contextualizar temas como tragédia, comédia e história da antiguidade. O projeto envolve desde aulas até a construção dos cenários com os próprios alunos”, afirma Dolores.
A estreia será no dia 8 de agosto, às 19h, no anfiteatro da UFMS – Campus II, com entrada gratuita. No total, serão quatro apresentações, duas em agosto e duas em setembro. Não haverá distribuição prévia de ingressos, então os atores recomendam que o público chegue com antecedência para garantir lugar.
“A casa deve lotar. A estreia é sempre muito aguardada, e convidamos todos a chegarem por volta das 18h30”, aconselha Victória.
Segundo os entrevistados, o público de teatro em Três Lagoas tem se fortalecido nos últimos anos, com apoio de grupos como o Identidade, produtores independentes e fomentos culturais. “Tem muita gente que nunca vimos na vida, mas que vai prestigiar. Isso mostra que o teatro tem espaço e tem público”, conclui Vito.
Confira a entrevista: