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Por Henrique Ferian
O tempo seco e a baixa umidade relativa do ar, comuns em Três Lagoas nesta época do ano, preocupam especialistas da saúde. Em entrevista ao Jornal da Manhã da Jovem Pan Três Lagoas, a médica pediatra Patrícia Matos destacou os principais riscos para as crianças, que são mais vulneráveis às crises respiratórias.
“Quando a narina resseca, ela perde a capacidade de filtrar o ar e adequar a temperatura para o organismo. Isso facilita sangramentos, infecções e o aumento de quadros como rinite, bronquite, asma e bronquiolite”, explicou.
Segundo a pediatra, os bebês de 0 a 6 meses que estão em aleitamento materno não precisam de água, mas podem apresentar sinais de desidratação como moleira funda e boquinha seca. Já a partir dos 6 meses, a recomendação é de pelo menos 1 litro de água por dia, em pequenas doses ao longo do dia.
A especialista orienta que os pais fiquem atentos a sintomas como cansaço excessivo, febre em bebês abaixo de 3 meses, dificuldade para respirar e gripes persistentes. “Se a criança está gripada há semanas sem melhora, é preciso procurar atendimento médico, porque pode haver um componente alérgico ou algo mais sério associado”, alertou.
O uso do soro fisiológico em jato contínuo é indicado para hidratar a narina, sem risco de afogamento. Já a lavagem nasal mais intensa só deve ser feita em casos de acúmulo de secreção.
Sobre o ambiente, a médica recomenda o uso combinado de ar-condicionado e umidificador, desde que o filtro do aparelho seja limpo duas a três vezes por semana. Ventiladores devem ser evitados diretamente sobre a criança, pois espalham poeira e aumentam crises alérgicas.
Outro ponto ressaltado foi a importância de uma alimentação saudável para fortalecer a imunidade infantil. Refrigerantes, salgadinhos e biscoitos industrializados devem ser substituídos por frutas, legumes e alimentos naturais.
“É um crime deixar a criança se alimentar mal. A imunidade depende de uma nutrição adequada. Ao invés de abrir um pacote, abra uma fruta; ao invés de abrir uma garrafa, abra a torneira. O excesso de açúcar e sal vai cobrar um preço na vida adulta”, enfatizou.
A pediatra recomenda que as crianças continuem brincando e praticando atividades físicas, mas em horários menos secos, como manhã cedo ou final da tarde. Durante as brincadeiras, a hidratação deve ser constante.
“Quando estão brincando, elas não sentem sede, fome ou cansaço. Por isso os pais precisam insistir para que tomem água com frequência”, orientou.
Dra. Patrícia fez um alerta sobre o uso indiscriminado de antialérgicos e, principalmente, descongestionantes nasais que contenham nafazolina e similares.
“Esse tipo de substância pode até levar uma criança a óbito. É extremamente contraindicado. Somente o médico pode avaliar a necessidade de prescrição”, reforçou.
A pediatra reforça que ninguém conhece melhor a criança do que os próprios pais. Observar o comportamento, o olhar e os sinais de desconforto é fundamental para agir rapidamente e evitar complicações.
“Os cuidados não podem se limitar a esta época do ano. É preciso manter atenção durante todas as estações, adaptando os hábitos conforme as mudanças climáticas”, finalizou.
Confira a entrevista: