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Melissa Siketo nos estúdios da Jovem Pan Três Lagoas. “Genética não é destino — nossas escolhas diárias é que ativam ou silenciam os gatilhos das doenças.”
Por Henrique Ferian
Três Lagoas (MS) – Em tempos de rotina acelerada, excesso de estímulos e pouco tempo para cuidar de si, buscar uma vida saudável vai muito além da ausência de doenças. É sobre equilíbrio físico, mental e emocional. Essa foi a mensagem central da entrevista da nutricionista Melissa Siketo à Jovem Pan Três Lagoas, em que ela destacou como o estilo de vida moderno influencia diretamente a saúde integral e a longevidade.
Melissa começou destacando uma contradição comum: “Tentamos ser funcionais, mas vivemos em um mundo disfuncional”.
Segundo ela, o ritmo acelerado e a sobrecarga de estímulos fazem o corpo entrar em desequilíbrio, abrindo espaço para doenças crônicas.
“O corpo vai sentindo essa disfunção e começa a gritar”, explicou.
A nutricionista lembrou que a depressão é um dos reflexos mais evidentes desse cenário — a chamada “doença do século” — e que está profundamente ligada ao modo como vivemos, nos alimentamos e lidamos com o estresse.
Um dos pontos centrais da entrevista foi a explicação sobre o eixo intestino-cérebro, uma via de comunicação direta entre o sistema digestivo e o emocional.
“O intestino é o órgão que nutre todo o corpo — inclusive o coração”, afirmou Melissa.
Quando o intestino está em desequilíbrio, todo o organismo sofre. Ela citou a síndrome do intestino irritável como exemplo de como o estado emocional pode se manifestar fisicamente.
A integridade da barreira intestinal é essencial — um “intestino permeável” permite a passagem de toxinas, vírus e bactérias, comprometendo a saúde geral.
Melissa destacou a diferença entre alimentar-se e nutrir-se.
“Muitas pessoas comem para matar a fome, mas não alimentam as células com o que elas realmente precisam”, explicou.
Esse desequilíbrio gera a chamada ‘fome oculta’, em que o corpo está cheio, mas carente de nutrientes.
A consequência aparece nos números: a obesidade já supera a desnutrição infantil, e doenças antes comuns em idosos, como infartos, estão surgindo em pessoas cada vez mais jovens — hoje, por volta dos 35 anos.
Ela lembrou ainda que a saúde começa antes mesmo do nascimento, com a nutrição da gestante influenciando o desenvolvimento do bebê.
Desmistificando a ideia de que “é tudo genético”, Melissa explicou o conceito de epigenética — a influência do ambiente e dos hábitos sobre a expressão dos genes.
“Cerca de 80% das doenças não são genéticas, e sim epigenéticas. Isso significa que nossas escolhas podem ativar ou desativar predisposições”, afirmou.
Para ela, alimentação equilibrada, qualidade do sono, pensamentos positivos e controle do estresse são fatores determinantes para uma vida longa e saudável.
Entre os principais inimigos do bem-estar, a nutricionista apontou o açúcar, a farinha branca e o álcool — o “combo perfeito” para gerar inflamação e desequilíbrio.
Ela também alertou sobre o consumo de ultraprocessados, ricos em aditivos químicos e pobres em nutrientes.
“Descasque mais, desembale menos”, recomendou.
Até mesmo sucos de frutas merecem atenção.
“Ninguém come seis laranjas de uma vez, mas no suco a gente toma isso fácil — e sem as fibras que fazem toda a diferença”, explicou.
Encerrando a entrevista, Melissa reforçou que cada pessoa tem um metabolismo único — e, por isso, não existe dieta universal.
Práticas como o jejum intermitente, por exemplo, podem ser benéficas para alguns, mas não são indicadas para crianças, idosos, gestantes ou lactantes.
Ela defendeu que as pessoas busquem informações confiáveis e orientação de profissionais habilitados antes de aderir a modas alimentares.
“Precisamos saber fazer as escolhas. A saúde começa no conhecimento e no autoconhecimento.”
Melissa convidou os ouvintes a acompanharem seu trabalho e conteúdos sobre saúde integral no Instagram @melissasiketo_nutri.
Confira a Entrevista: