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Exame permite diagnóstico precoce e pode garantir mais de 95% de chance de cura quando feito regularmente
O Dia Nacional da Mamografia, lembrado em 5 de fevereiro, vai além de uma data simbólica. Ele funciona como um alerta permanente para o cuidado com a saúde da mulher. Esse foi o principal ponto abordado pela médica ginecologista e mastologista Dra. Nayara Sibelli Fante Cassemiro, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan Três Lagoas.
Segundo a especialista, embora campanhas como o Outubro Rosa tenham ampliado a conscientização, o câncer de mama precisa ser discutido durante todo o ano. A doença segue sendo o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres e, quando diagnosticada precocemente, apresenta índices de cura superiores a 95%.
A mamografia é o principal exame de rastreamento e tem papel direto na redução da mortalidade. O exame consegue identificar lesões ainda muito pequenas, em milímetros, antes mesmo de serem percebidas ao toque. Mesmo causando certo desconforto, o benefício é incomparável. “É um incômodo momentâneo que pode salvar uma vida”, pontuou a médica.
Mudança na idade mínima amplia o acesso ao exame
Uma mudança recente nas diretrizes do Ministério da Saúde ampliou o acesso à mamografia pelo SUS. Desde 2025, o exame pode ser solicitado a partir dos 40 anos, mediante avaliação médica, e segue indicado até os 74 anos. Antes, o rastreamento era recomendado apenas dos 50 aos 69.
A atualização ocorreu após estudos apontarem o aumento de casos em mulheres mais jovens. Estima-se que entre 40 e 49 anos exista uma parcela significativa de diagnósticos que ficava fora do rastreamento regular. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia segue recomendando o exame de forma anual a partir dos 40 anos.
Histórico familiar exige atenção redobrada
Mulheres com histórico de câncer de mama na família, especialmente em parentes de primeiro grau, precisam iniciar o acompanhamento mais cedo. Nesses casos, a orientação é começar os exames cerca de dez anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico.
Isso não significa que o câncer será inevitável, mas indica maior risco e necessidade de vigilância. Outros fatores também influenciam, como mutações genéticas e tratamentos prévios com radioterapia na região do tórax.
Autoconhecimento substitui o antigo autoexame
A médica explicou que o conceito de “autoexame” foi substituído pelo de autoconhecimento corporal, para evitar ansiedade e interpretações equivocadas. A recomendação é que a mulher observe e palpe as mamas regularmente, reconhecendo o que é normal em seu próprio corpo.
O período mais indicado para essa observação é alguns dias após o fim da menstruação, quando a mama está menos sensível. Qualquer alteração percebida deve ser avaliada por um profissional de saúde.
Diagnóstico tardio não significa ausência de tratamento
Quando o câncer é descoberto em estágios mais avançados, o tratamento tende a ser mais complexo, mas ainda assim há possibilidades terapêuticas. O sintoma mais comum é o surgimento de um nódulo, podendo evoluir para alterações na pele ou feridas em casos extremos.
A confirmação do câncer não é feita apenas por exames de imagem. A biópsia é o procedimento que define o diagnóstico e direciona o tratamento, que pode envolver quimioterapia, cirurgia ou outras abordagens, sempre de forma individualizada.
Tecnologia amplia a precisão dos exames
Os avanços tecnológicos também têm contribuído para diagnósticos cada vez mais precoces. Além da mamografia digital, alguns centros já utilizam a mamografia 3D, conhecida como tomossíntese, que permite visualizar a mama em cortes mais detalhados e reduz dúvidas nos laudos.
A expectativa é que a inteligência artificial amplie ainda mais a precisão dos exames, trazendo mais segurança tanto para médicos quanto para pacientes.
Cuidado deve acompanhar a mulher por toda a vida
Casos atendidos pela médica mostram que o câncer de mama pode surgir tanto em mulheres jovens quanto em idosas. Ela relatou atendimentos que vão desde pacientes com pouco mais de 20 anos até mulheres acima dos 90, o que reforça a importância do acompanhamento contínuo, sem limites rígidos de idade.
Mensagem final: cuidar de si também é prioridade
Ao encerrar a entrevista, a médica destacou que o autocuidado precisa fazer parte da rotina feminina. Consultas ginecológicas regulares, alimentação equilibrada, atividade física e redução do estresse são medidas fundamentais.
Ela também lembrou que o SUS oferece atendimento e exames gratuitamente e que a mulher deve buscar esse serviço sem receio. “Cuidar de si não é egoísmo. É uma necessidade para continuar cuidando de quem se ama”, concluiu.
Confira a Entrevista: