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Entre licitações travadas e silêncio oficial, animais seguem abandonados em Três Lagoas

Apenas um entre centenas de animais abandonados que estão a procura de um lar em Três Lagoas.

Por Henrique Ferian

Com orçamento aprovado, estrutura criada e promessas reiteradas, Prefeitura de Três Lagoas patina em licitações, demora decisões e mantém protetoras sem resposta enquanto o abandono de animais se agrava

Criado em abril de 2025, com diretora nomeada e discurso de prioridade, o Departamento de Bem-Estar Animal de Três Lagoas completa quase um ano sem entregar aquilo que justificou sua existência. Apesar da aprovação formal pela Câmara Municipal em agosto e da previsão de R$ 765 mil no orçamento de 2026, a política pública anunciada ainda não chegou às ruas — onde o problema cresce todos os dias.

O abandono de animais segue em alta, os resgates foram paralisados por falta de estrutura e as protetoras, que historicamente sustentam essa causa na cidade, continuam sozinhas. O contraste entre o que está no papel e o que acontece na prática revela um problema que vai além da falta de sensibilidade: trata-se de lentidão administrativa, processos travados e comunicação falha com quem conhece a realidade.

O alerta veio da ONG Protetoras, presidida por Charlene Bortoleto, que anunciou a suspensão temporária dos atendimentos por absoluta falta de condições. Não há lar temporário, não há local de acolhimento, não há apoio financeiro e o número de voluntários é insuficiente diante da demanda. Em uma cidade com estimativa de cerca de 60 mil animais, o trabalho voluntário não consegue mais suprir aquilo que deveria ser política pública estruturada.

Os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, historicamente marcados pelo aumento do abandono, escancararam o colapso. Animais atropelados aparecem diariamente, os custos veterinários variam entre R$ 2 mil e R$ 10 mil por caso, e não existe uma rede pública ou conveniada para absorver essas ocorrências com rapidez. Tudo recai sobre quem atua nas horas vagas, aos fins de semana, sem qualquer respaldo institucional.

O que mais causa indignação é que recurso existe. O orçamento foi aprovado. O departamento foi criado. A legislação permite convênios, credenciamentos e contratações. O que não anda são os processos. Licitações não avançam desde 6 de janeiro travados com o jurídico do município e com isso os credenciamentos de clínicas veterinárias não saem do papel inclusive segundo informações apenas uma clínica teria manifestado interesse e nenhuma solução emergencial foi adotada enquanto os trâmites se arrastam. Falta senso de urgência.

A comunicação entre o poder público e as protetoras cadastradas também é precária. Reuniões acontecem, promessas se repetem, mas não há cronogramas claros, prazos definidos ou retorno objetivo. As ONGs não sabem quando — ou se — terão acesso a clínicas conveniadas, medicamentos, ração ou apoio para internações. A ausência de informação transforma expectativa em frustração e paralisa quem depende dessas decisões para agir.

Há ainda questionamentos graves sobre a condução de casos sob responsabilidade direta do município. Animais apreendidos em situações de maus-tratos permanecem no CCZ sem exames laboratoriais básicos, segundo relatos das protetoras. Mesmo com ONGs se oferecendo para custear procedimentos, não houve autorização. Dois animais morreram. O episódio levanta dúvidas não apenas sobre estrutura, mas sobre protocolos, transparência e responsabilidade.

Enquanto isso, a cidade segue sem políticas preventivas consistentes. Não há fiscalização efetiva, punições raramente acontecem e abandonar um animal continua sendo um ato sem consequência prática. A omissão alimenta o ciclo: mais abandono, mais sofrimento e mais sobrecarga para quem já está no limite.

As protetoras deixam claro que não pedem favores. Pedem execução. Credenciamento ágil de clínicas, uso imediato do orçamento aprovado, um local adequado para acolhimento, fornecimento regular de ração e medicamentos, aplicação de multas e ações educativas permanentes. Medidas simples, possíveis e compatíveis com a estrutura já criada.

O Departamento de Bem-Estar Animal não pode seguir funcionando no ritmo da burocracia enquanto o problema avança em ritmo acelerado. Se há dinheiro, lei e demanda, o que falta é decisão, agilidade nos processos e comunicação clara com quem sustenta essa causa há décadas.

Em Três Lagoas, o abandono não espera. A administração pública também não deveria esperar para agir.

Confira a reportagem:

 

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