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Moradora denuncia canal tomado por esgoto, fedor insuportável e surto de dengue no bairro — e ninguém responde
Por Henrique Ferian
No Jardim Brasília, um canal que deveria escoar apenas águas pluviais tornou-se um valão de esgoto a céu aberto. A água escura, de cheiro insuportável, corre à vista de todos — crianças, idosos, famílias inteiras — enquanto a Prefeitura de Três Lagoas e a SANESUL (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) permanecem em silêncio.
“Esgoto, é esgoto, olha isso”, registrou Viviane em vídeo nas redes sociais. Com a câmera, ela mostrou a cor podre da água e o volume de dejetos despejados diretamente no canal. Não há como negar. Não há como desviar o olhar.
Viviane, o marido e a filha contraíram dengue. A proliferação de mosquitos, alimentada pelo esgoto estagnado e pela água suja acumulada no canal, transformou o bairro em um ambiente de risco sanitário permanente.
“A nossa casa está lotada de pernilongos. Eu peguei dengue, minha filha pegou dengue, meu esposo pegou dengue”, disse ela, com voz que mistura exaustão e revolta.
Dormir com janelas abertas virou luxo impossível. O cheiro de esgoto invade as casas à noite, obrigando as famílias a ficarem trancadas. Quem passa pela esquina do bairro desvia o rosto. Quem mora ali, não tem para onde ir.
Não existe ambiguidade aqui. O sistema de esgotamento sanitário de Três Lagoas é operado pela SANESUL, empresa que responde legalmente pelo destino dos dejetos produzidos pelos moradores. Esgoto doméstico correndo em canal pluvial não é acidente — é falha grave de infraestrutura, resultado direto de ausência de manutenção, fiscalização e investimento.
À Prefeitura de Três Lagoas, por sua vez, cabe a fiscalização do uso dos canais de drenagem urbana e a garantia das condições mínimas de saúde pública nos bairros do município. Omissão também é uma escolha. E as consequências são humanas, concretas e inadiáveis.
A Lei Federal nº 11.445/2007 — o Marco Legal do Saneamento Básico — estabelece que o poder público e as concessionárias têm obrigação de garantir o tratamento e o destino adequado do esgoto sanitário. Expor uma comunidade a esgoto a céu aberto fere esse marco legal, viola o direito constitucional à saúde e à moradia digna, e pode configurar improbidade administrativa.
A dengue, doença prevenível, não deveria ceifar a saúde de uma família inteira por negligência de quem tem obrigação de agir.
Os moradores exigem, que a Prefeitura de Três Lagoas e a SANESUL se manifestem sobre a situação do Jardim Brasília, apresentem prazo para solução e expliquem por que uma família precisou adoecer e gravar vídeos nas redes sociais para que o problema fosse ao menos notado. E resolvam a situação.
A população do Jardim Brasília não quer promessa. Quer esgoto na rede. Quer canal limpo. Quer poder dormir com a janela aberta.
Isso não é demais pedir. É o mínimo que o poder público deve a quem paga impostos e vive sob sua responsabilidade.