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Por AUGUSTA RUFINO
Novo trabalho reúne 15 faixas, parceiros da estrada musical e imagens gravadas ao pôr do sol, entre chuva, emoção e resistência
Há discos que nascem em estúdio. Outros nascem da terra, da água e do céu. O novo trabalho de Maringa Borgert parece ter escolhido esse segundo caminho.
O artista sul-mato-grossense lançou, na última sexta-feira, o álbum audiovisual “No Rastro das Três Marias”, registro ao vivo gravado às margens do Rio Sucuriú, em Três Lagoas. O projeto chega como continuidade de uma caminhada iniciada no ano passado, quando o músico apresentou um disco com dez faixas. Agora, retorna com quinze canções embaladas por cenário aberto, luz natural e o peso simbólico da paisagem regional.
Maringa se define como um artista regionalista. Mas seu regionalismo não cabe em fronteiras estreitas. Em sua música convivem a sonoridade pantaneira, ritmos de fronteira, ecos nordestinos e a delicadeza da canção mineira. Entre suas referências, ele cita nomes como Almir Sater, Renato Teixeira e Luiz Gonzaga.
O novo álbum também costura amizades musicais. Participam parceiros como Bial Cavalcanti, Nilo Carvalho, Françoise Soares, Kuga Borba e Francis Rosa — nomes que ajudam a compor o repertório e a estrada compartilhada pelo cantor.
Entre as canções, uma das mais afetivas é “Olhar para as Formigas”, música em homenagem à avó. A letra revisita memórias de infância no Paraná, quando o menino passava horas observando formigas cortadeiras no quintal. A lembrança simples transforma-se em poesia sobre afeto, ausência e permanência.

Marcus Cabanha, produtor musical
Se o resultado final carrega beleza, os bastidores exigiram coragem. Segundo o produtor musical Marcus Cabanha, a gravação enfrentou chuva pouco antes do início. A equipe precisou desmontar e remontar a estrutura às pressas.
Mesmo sob tensão, o espetáculo aconteceu. O sol caiu atrás do palco, a noite subiu devagar e, no céu, surgiram as Três Marias — constelação que inspira o nome do projeto e simboliza direção, busca e travessia.
Disponível em plataformas digitais como YouTube, Spotify e Deezer, o trabalho reafirma Maringa Borgert como uma das vozes que seguem transformando paisagem em música.