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A Capoeira como cura e pertencimento no autismo

Por AUGUSTA RUFINO

 

Entre o ritmo do pandeiro e o jogo na roda, a Mestre Fernanda Aranha revela como a arte ancestral brasileira transformou o atraso motor em movimento e a dificuldade social em protagonismo para autistas em Três Lagoas

 

O som da capoeira não é apenas música; para Fernanda Aranha, é uma bússola. Aos 41 anos, a mulher que hoje comanda rodas e ensina crianças a gingar guarda na memória um corpo que, aos quatro anos de idade, parecia não entender a lógica do caminhar. “Minha mãe me levou ao médico porque eu não sabia andar”, conta Fernanda, relembrando uma infância marcada por quedas, tropeços e um silêncio que o mundo, naquela época, ainda não sabia chamar de autismo.

Hoje, diagnosticada como autista nível 1 de suporte, Fernanda é a prova viva de que o espectro é um território de trânsito e descobertas. No mês de abril, dedicado à conscientização sobre o autismo, sua história emerge não como um relato de superação milagrosa, mas como um testemunho da potência da inclusão através da cultura.

A Terapia da Ginga

Aos 14 anos, quando o primeiro contato com o berimbau aconteceu, Fernanda encontrou na capoeira uma tradução para o que sentia. Enquanto a interação social em festas ou grupos escolares era um enigma — “eu era aquela criança que esperava todo mundo beber água para só depois correr e beber a minha” — na roda, as regras eram outras.

“Na capoeira, você pode exercer o seu protagonismo sem necessariamente estar em evidência. Você pode estar batendo palmas, tocando um instrumento ou cantando. Mas você está lá, conectado com o outro”, explica a Mestre.

Para Fernanda, a capoeira foi a terapia que o sistema de saúde dos anos 80 e 90 não lhe ofereceu. O esporte refinou sua coordenação motora grossa, deu-lhe consciência espacial e, principalmente, o sentimento de pertencimento. Esse “salvamento”, como ela define, permitiu que ela transitasse pela vida adulta com mais fluidez, tornando-se uma advogada e mestre de capoeira comunicativa, quebrando o mito de que o autismo é sinônimo de timidez. “Nós não somos tímidos, nós apenas processamos a interação social de forma diferente”, pontua.

De Geração em Geração

A experiência de Fernanda agora serve de âncora para outros. Sua filha mais velha também é autista e, como a mãe, enfrentou atrasos motores. A solução estava novamente no jogo. Através da capoeira, Fernanda ajudou a filha a recuperar movimentos e confiança, uma vivência que hoje ela expande para a comunidade de Três Lagoas.

No Ponto Cultural Identidade, Fernanda conduz uma turma dedicada às famílias. Crianças de 2 a 5 anos treinam ao lado de seus responsáveis, criando um ambiente de segurança psicológica essencial para quem é neurodivergente.

Além da Prática, a Ciência

Embora fale com a paixão de quem teve a vida salva pela arte, Fernanda não se baseia apenas no empirismo. Com 27 anos de estrada na capoeira, ela busca constantemente capacitação acadêmica para entender as nuances de dar aula para crianças neurodivergentes. Recentemente, participou de treinamentos específicos para trocar experiências com outros profissionais e autistas sobre como adaptar o ensino da capoeira para diferentes necessidades sensoriais e motoras.

Enquanto o berimbau dita o ritmo final da conversa, fica a lição de que a inclusão não é apenas sobre “deixar entrar”, mas sobre oferecer as ferramentas para que cada um possa tocar seu próprio instrumento no coro da vida.

Para quem deseja trilhar esse caminho, Mestre Fernanda mantém turmas no Ponto de Cultura Projeto Identidade às quartas-feiras, às 18h15. Interessados em futuras turmas para adultos e crianças maiores podem entrar em contato através do Instagram: @aranha.fernanda.

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