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Brasil avança na educação mas ainda enfrenta evasão analfabetismo adulto e subfinanciamento

No Dia Mundial da Educação, professores debatem os desafios reais do ensino no país, os avanços de Mato Grosso do Sul na alfabetização e o que precisa mudar com urgência.

POR HENRIQUE FERIAN

O dia 28 de abril marca o Dia Mundial da Educação,  que junto com o Dia Internacional da Educação (celebrado em janeiro), reforça o compromisso global com o ensino de qualidade. Em entrevista ao vivo no Jornal da Manhã da Jovem Pan Três Lagoas, dois especialistas avaliaram o que o Brasil conquistou — e o quanto ainda falta.

Entrevistados: Prof. Dr. Tarcísio Luiz Pereira (UFMS — Políticas educacionais e formação de professores)  |  Profa. Dra. Terezinha Bazé de Lima (Pedagoga — Educação como instrumento de transformação social)

A professora Terezinha Bazé lembrou que o Brasil é signatário do Fórum Mundial da Educação, firmado no ano 2000, que estabeleceu metas a serem cumpridas por 164 países até 2015. O prazo não foi atingido e a ONU ampliou o compromisso até 2030, dentro do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 4 (ODS4): assegurar educação inclusiva, equitativa e de qualidade.

AVANÇOS RECONHECIDOS

Desde a Constituição Federal de 1988, o país garantiu o acesso obrigatório à educação básica e expandiu o ensino superior para a classe trabalhadora. O FUNDEB se tornou instrumento central de financiamento, e o Plano Nacional de Educação passou a organizar metas com prazos e percentuais. Em Mato Grosso do Sul, o IDEB está entre os mais altos do país.

Na alfabetização, os avanços são expressivos. Em 1800, o Brasil tinha 82% de analfabetos. Dados de 2026 do IBGE mostram que esse índice caiu para 6% — redução histórica, ainda que o número absoluto de pessoas sem alfabetização continue sendo imenso.

Números em destaque

6%  —  Taxa de analfabetismo no Brasil em 2026 (IBGE)

60  —  Municípios do MS com Selo Ouro em alfabetização (de 79 no total)

6%  —  Do PIB destinado à educação (meta do PNE é 7,5%)

Na Costa Leste de MS, onde a UFMS/CPTL tem atuação histórica, nove dos onze municípios receberam Selo Ouro em alfabetização — resultado direto da parceria entre universidade, estado e Ministério da Educação para formação continuada de professores.

“O CPTL é o protagonista da alfabetização no estado de Mato Grosso do Sul. Todos os avanços só foram possíveis porque houve formação e a Universidade Federal na frente.”

GARGALOS QUE PERSISTEM

Apesar dos avanços, os professores apontaram desafios estruturais que seguem sem solução. A evasão escolar entre jovens em situação de vulnerabilidade ainda é alta, motivada principalmente pela necessidade de trabalho ou pela constituição de família precoce. A educação infantil de 0 a 3 anos sofre com falta de acesso por transporte e infraestrutura — pesquisas apontam que mães deixam de matricular filhos simplesmente porque o ônibus não passa.

O analfabetismo de adultos também preocupa. A professora Bazé relatou o caso de um homem que perguntou onde poderia aprender a escrever o próprio nome — e não foi encontrada nenhuma sala de EJA de alfabetização em Três Lagoas. “Nós temos ainda 6 milhões para alfabetizar. Como está isso na nossa pauta?”, questionou a professora.

O impacto da pandemia também pesa sobre a geração atual de universitários. O professor Tarcísio destacou que os jovens chegam à universidade com defasagens de aprendizagem, pouco hábito de leitura e dificuldade de concentração — reflexo do período de ensino remoto emergencial e do tempo excessivo em redes sociais. A UFMS/CPTL criou projetos de acolhimento e nivelamento para compensar essa lacuna.

MARCO REGULATÓRIO PARA FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM EAD

Um dos temas centrais da entrevista foi o novo marco regulatório do MEC para formação de professores a distância. A partir dele, nenhuma instituição poderá formar professores — seja em pedagogia ou nas licenciaturas — 100% em EAD. A carga horária presencial obrigatória passa a ser de 50%, e todas as instituições tiveram 24 meses para se adaptar. Os estudantes já matriculados têm direito de concluir no currículo em que ingressaram.

Além disso, o curso de pedagogia passa a formar exclusivamente para a educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental, encerrando a habilitação para gestão e coordenação pedagógica dentro desse curso.

O QUE PRECISA MUDAR COM URGÊNCIA

  • Atingir 10% do PIB para a educação — hoje em 6%, abaixo até da meta do PNE (7,5%). O professor Tarcísio defende que recursos hoje destinados ao financiamento de instituições privadas deveriam ser redirecionados para fortalecer a rede pública.
  • Valorização e formação continuada dos professores, com flexibilização nos planos de cargos para que docentes contratados também possam fazer mestrado e doutorado sem abrir mão do emprego.
  • Garantir que o dinheiro da educação seja gasto com educação — sem desvios de verba, esse desvio deveria ser tratado como crime.
  • Expandir a EJA de alfabetização para adultos — não apenas para jovens que já dominam a escrita, mas para os milhões que ainda não sabem ler ou escrever o próprio nome.
  • Transformar Três Lagoas em Cidade Educadora, aderindo ao programa nacional criado em Curitiba, para que a educação permeie todas as secretarias e áreas da gestão pública municipal.

“Todo mundo passa pela mão do professor. O médico, o advogado — ninguém se forma sem passar pela educação básica. A gente brinca que o professor é aquele aluno que permaneceu na escola.”

Confira a entrevista completa:

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