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O feminicídio deixa marcas que vão muito além do crime em si. Em Três Lagoas, a dor de uma família revela a dimensão dessa violência. Dois anos após o assassinato de Gilvanda Paula e Silva, morta a tiros pelo companheiro em março de 2024, a filha, Maria Luiza, falou sobre o caso e a realidade enfrentada desde então.
A história, que ganhou repercussão na época, ainda aguarda desfecho na Justiça. O acusado segue preso, mas o julgamento já foi adiado duas vezes.
Segundo Maria Luiza, o relacionamento da mãe era conturbado e marcado por sinais claros de abuso.
“Era um relacionamento de idas e vindas, com ameaças, xingamentos e muito ciúme possessivo. Ele queria vigiar ela o tempo todo”, relata.
Mesmo diante dos alertas das filhas, Gilvanda não conseguiu romper o ciclo. “A gente falava que não era saudável, mas ela não conseguia sair. Sempre tinha promessa de mudança e eles voltavam”, conta.
O feminicídio aconteceu na manhã de março de 2024. Gilvanda havia saído de casa para ir a um velório quando foi surpreendida pelo agressor.
“Ele seguiu ela, parou ao lado do carro e atirou. Não deu tempo de nada”, lembra a filha.
Dois disparos foram efetuados. Um deles também atingiu uma vizinha que estava no veículo. Gilvanda chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
Desde então, a rotina da família mudou completamente. Maria Luiza, que tem outras duas irmãs — sendo uma criança pequena, filha do agressor — precisou assumir responsabilidades dentro de casa.
“Eu pensei: o que eu vou fazer agora? Minha irmã tinha 2 anos. Eu precisava ser forte, cuidar delas, fazer o papel que minha mãe faria”, desabafa.
Apesar do apoio do pai, a ausência é irreparável.
“A nossa família nunca mais foi a mesma. A falta dela é diária.”
Mesmo com o autor preso, o caso ainda aguarda julgamento. Segundo a família, sessões já foram adiadas por falta de jurados e questões operacionais.
A expectativa é de que o réu responda por feminicídio e tentativa de homicídio, já que outra vítima foi atingida no ataque.
“Queremos justiça. Nada vai trazer nossa mãe de volta, mas que ele seja responsabilizado”, afirma.
Ao relembrar a história, Maria Luiza faz um apelo direto a mulheres que vivem situações semelhantes.
“Muitas não conseguem enxergar o que estão vivendo. Mas que consigam perceber enquanto há tempo. Que tenham força para sair antes que aconteça o pior”, diz.
O relato reforça o que especialistas apontam: o feminicídio, na maioria das vezes, é o desfecho de um ciclo de violência que começa de forma silenciosa.
Casos como o de Gilvanda evidenciam que a violência doméstica não termina apenas na vítima — ela atinge toda a família, especialmente os filhos, que passam a conviver com a ausência, o trauma e a reconstrução de uma vida sem a mãe.
A história de Maria Luiza não é isolada. É um retrato de uma realidade que ainda persiste e que exige atenção, denúncia e ação antes que seja tarde demais.
Confira a entrevista: