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Por AUGUSTA RUFINO
No mês das mães, corretora e empresária mostra como transformou desafios pessoais em estratégia de vida, unindo maternidade e carreira no dia a dia
A tarde seguia no ritmo da programação quando o tom mudou no estúdio. Maio chegou trazendo histórias que não cabem apenas em números ou negócios. Histórias de mulheres que fazem da rotina uma construção diária. Foi assim, em entrevista nesta terça-feira (5), na programação da Jovem Pan 99.5, que Vanessa Moreira começou a contar a própria trajetória.
Veio de Campo Grande há 17 anos. Escolheu Três Lagoas para viver, empreender e criar os filhos. Hoje, está à frente de uma imobiliária e carrega quase duas décadas de experiência no empreendedorismo. Mas, antes de qualquer cargo, ela se apresenta na prática: mãe.
João Vitor, de 19 anos, e Maria Vitória, de 16, cresceram dentro dessa dinâmica onde empresa e família nunca foram mundos separados.
COMEÇO CEDO
Vanessa não esperou o cenário ideal. Empreender veio logo no início da vida adulta. “Trabalhei de carteira assinada no máximo um ano e depois já abri minha empresa.”
Quando chegou a Três Lagoas, já trazia experiência e disposição. Veio com um filho pequeno e grávida. Começou com uma empresa de limpeza. Depois vieram construções, vendas de imóveis e, mais recentemente, a estruturação da própria imobiliária.
A maternidade nunca interrompeu o caminho. Pelo contrário, caminhou junto desde o início.
DESAFIO REAL
Nem tudo foi linear. Um dos momentos mais difíceis veio logo na chegada à cidade. Em um intervalo de pouco mais de um mês, Vanessa perdeu a mãe e a sogra.
Com dois filhos pequenos, precisou seguir sem rede de apoio. “Foi o maior desafio. Tive que lidar com tudo sozinha.”
A solução foi prática, como tantas outras ao longo da vida. Escola integral, babá, organização e, principalmente, presença constante. Os filhos passaram a acompanhar a rotina de trabalho.
TUDO JUNTO
Separar os papéis nunca fez sentido dentro de casa. Para Vanessa, não existe divisão rígida entre ser mãe e ser empresária.
“Eu nunca tive papo de adulto e papo de criança. Eles sempre souberam o que estava acontecendo.”
As decisões da empresa são compartilhadas na mesa do almoço. Os desafios também. A rotina vira aprendizado coletivo.
Hoje, os dois filhos participam diretamente do negócio. Trabalham com ela na imobiliária, acompanhando de perto o funcionamento e as responsabilidades.
NA PRÁTICA
A teoria se construiu na vivência. Em uma das histórias que guarda, lembra de quando precisou sair para entregar mercadorias com o filho ainda pequeno. Sem opção, ele foi junto.
Em outra fase da vida, decidiu não abrir mão de experiências. Viajou pela Europa com a filha ainda criança, em uma jornada de quase um mês. “Eu não deixo de fazer, eu incluo eles na minha rotina.”
Para ela, esse é o ponto central. Adaptar a vida sem excluir os filhos dela.
SEM CULPA
Ao falar com outras mulheres, Vanessa identifica um sentimento comum: a culpa.
“O que eu vejo muito é a culpa. E ela vai acompanhar a gente em qualquer decisão.”
A orientação é direta. Não esperar o momento ideal. Ele não chega. O que existe é o agora e a possibilidade de agir com o que se tem.
Empreender, segundo ela, também permite uma autonomia importante. Organizar horários, estar presente e construir uma rotina possível.
TEMPO INTEGRAL
Ser mãe e empreendedora não são funções que se alternam. São simultâneas. “Tempo todo”, resume.
A própria entrevista é exemplo disso. A filha acompanhava tudo de perto, participando, registrando, vivendo o ambiente de trabalho como parte natural do cotidiano.
No fim, não se trata apenas de carreira ou negócios. Trata-se de construir uma forma de vida onde trabalho, família e escolhas caminham juntos.
No mês das mães, histórias como a de Vanessa reforçam que empreender também pode ser um jeito de educar, incluir e transformar realidades dentro e fora de casa.