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Por AUGUSTA RUFINO
Maio é o mês em que as histórias de maternidade costumam ganhar mais espaço. Mas para muitas mulheres, ser mãe não cabe apenas nas lembranças afetivas ou na rotina doméstica. Em meio à correria dos negócios, agendas apertadas e decisões diárias, existem mães que transformaram a necessidade de sustentar, cuidar e garantir o futuro dos filhos em força para empreender.
Foi nesse tom de conversa íntima, sem esconder os desafios, que a empresária Deisy Sobral participou do quadro “Mães Empreendedoras”, da programação da Jovem Pan 99.5 FM, do Grupo Difusora, nesta sexta-feira (8).
Conhecida nas redes sociais e no comércio de Três Lagoas, Deisy falou sobre a maternidade dividida entre planilhas, reuniões, filhos doentes, culpa e coragem.
Ao tentar explicar a própria rotina, Deisy encontrou uma definição que resume bem a dimensão da vida que construiu.
“É como se eu tivesse muitos filhos”, disse ao falar das quatro empresas que administra ao mesmo tempo em que cria duas crianças.
A empresária contou que empreender exige presença constante. Diferente de um emprego tradicional, ela afirma que o negócio depende diretamente dela, inclusive nos dias difíceis.
Muitas vezes, segundo ela, foi necessário deixar os filhos com os avós mesmo sem querer. Em alguns momentos, o coração de mãe precisou ceder espaço para a responsabilidade de manter as empresas funcionando.
Ela se emocionou ao falar sobre o peso emocional dessa escolha silenciosa que tantas mulheres vivem diariamente.
Natural de Maringá, Deisy chegou a Três Lagoas sem conhecer ninguém. Trouxe apenas a experiência na área da beleza e a disposição para trabalhar.
Começou como maquiadora em salões da cidade. Antes disso, já havia atuado como cabeleireira. Aos poucos, enxergou no crescimento acelerado de Três Lagoas uma oportunidade para construir algo maior.
O primeiro grande passo foi um salão de beleza instalado no shopping da cidade, através de uma franquia. Mas a novidade veio acompanhada de um choque de realidade.
De repente, ela se viu responsável por cerca de 25 funcionários sem ter experiência em gestão ou liderança.
A pressão foi tanta que decidiu vender o salão para reorganizar a própria trajetória. Ainda assim, não abandonou o empreendedorismo.
Vieram outras empresas, entre elas uma franquia da Carmen Steffens, além de novos negócios impulsionados pela força que já tinha nas redes sociais como influenciadora digital.
A inquietação, segundo ela, nunca permitiu acomodação.
Agora, além das empresas, Deisy inicia uma nova fase como mentora e palestrante. O objetivo é ajudar outras mulheres a encontrarem caminhos no empreendedorismo.
Ao mesmo tempo, inaugurou recentemente um novo salão, o “Deisy Sobral Beauty”, que também funcionará como academia de formação profissional.
O espaço pretende oferecer cursos gratuitos para formação de manicures e pedicures, com possibilidade de contratação das alunas ao final das aulas.
Mais do que abrir um negócio, ela quer ensinar mulheres a conquistarem independência financeira através da profissão.
Durante a entrevista, Deisy falou sobre uma contradição comum entre mães empreendedoras.
Ao mesmo tempo em que o empreendedorismo permite liberdade de horários para acompanhar consultas médicas, escola e momentos importantes dos filhos, também exige equilíbrio emocional constante.
Ela contou que existem dias em que a vontade é simplesmente ficar em casa com as crianças, mas a responsabilidade fala mais alto.
Entre uma agenda e outra, vai aprendendo o “jogo de cintura” que, segundo ela, toda mulher conhece bem.
Ao final da conversa, Deisy deixou um recado para mulheres que sonham em abrir o próprio negócio, mas ainda esperam pelo momento perfeito.
Segundo ela, esse momento dificilmente chega.
A empresária relembrou que começou vendendo revistas e produtos de marcas de cosméticos antes de construir empresas maiores. Para ela, começar pequeno ainda é começar.
Na visão de Deisy, empreender exige sacrifícios, mas também representa a possibilidade de construir um futuro melhor para os filhos.
Entre culpa, coragem, maternidade e negócios, ela segue multiplicando funções. E talvez seja justamente nessa mistura de fragilidade e força que tantas outras mulheres consigam se enxergar.