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Por AUGUSTA RUFINO
Existe um silêncio difícil de explicar dentro de uma UTI neonatal. É o silêncio das mães que observam incubadoras em vez de berços. Dos pais que trocam a expectativa da alta da maternidade pelo som constante dos aparelhos. Das famílias que descobrem cedo demais que o nascimento nem sempre acontece como o planejado.
Foi para falar sobre essa realidade — e principalmente sobre a possibilidade de preveni-la — que a ginecologista e obstetra Dra. Larissa Zucca participou, nesta quinta-feira (14), do quadro Saúde + Vida, na programação da Jovem Pan 99.5 FM, do Grupo Difusora.
Durante a entrevista, a médica explicou que muitas pessoas ainda enxergam a prematuridade como algo inevitável, associando o tema apenas ao bebê que já nasceu antes do tempo. Mas, segundo ela, a prevenção começa muito antes da incubadora.
“A internação numa UTI neonatal não impacta só o bebê. É um impacto para a vida de toda a família”, destacou.
Larissa explicou que parte dos casos realmente ocorre sem uma causa identificada, mas muitas situações podem ser prevenidas com acompanhamento adequado durante a gestação.
Pressão alta, infecções urinárias, anemia profunda, gravidez gemelar e histórico de parto prematuro anterior estão entre os fatores que exigem atenção redobrada.
Para a médica, o pré-natal de qualidade continua sendo uma das ferramentas mais importantes para reduzir riscos e garantir mais segurança para mãe e bebê.
Ao longo da conversa, Larissa também defendeu um atendimento mais humano dentro da medicina.
“Todo médico deveria trabalhar de forma humanizada. Quando você entende aquela paciente não apenas como uma portadora de doença, mas como um ser humano, isso muda tudo”, afirmou.
A obstetra destacou a importância da participação da família durante a gestação, do acolhimento emocional e do fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê logo após o nascimento.
Segundo ela, a própria ciência comprova os benefícios desse cuidado mais próximo e respeitoso, com menores índices de depressão pós-parto, mais sucesso na amamentação e melhores resultados para a saúde materna e neonatal.
Entre explicações técnicas e relatos da rotina médica, a entrevista revelou um aspecto que muitas vezes passa despercebido: a maternidade também precisa de apoio, escuta e cuidado emocional.
Mais do que evitar números ou estatísticas, falar sobre prematuridade significa olhar para famílias inteiras que atravessam momentos de medo, insegurança e esperança dentro dos hospitais.
E é justamente por isso que a Corrida Nascer pretende transformar conscientização em movimento.
A primeira Corrida Nascer de Conscientização da Prematuridade será realizada no dia 1º de novembro, em Três Lagoas, como parte das ações do Novembro Roxo, campanha mundial voltada à conscientização sobre a prematuridade.
Mais do que uma competição esportiva, o evento nasceu como ferramenta de informação, prevenção e mobilização social, buscando ampliar o debate sobre saúde materna, gestação saudável e cuidados neonatais para além do ambiente hospitalar.
A programação contará com corrida de 7 quilômetros, caminhada de 2,5 quilômetros e também uma versão kids, permitindo a participação de atletas, famílias, crianças e moradores da cidade.
A iniciativa foi idealizada pela neonatologista Joyce Leal, que defende o esporte e a conscientização como aliados importantes no fortalecimento da saúde pública e do cuidado neonatal.
“Quanto maior o número de pessoas com a gente nessa corrida, mais visível essa causa fica”, reforçou Larissa durante a entrevista.
O evento contará ainda com ações educativas e participação de profissionais da saúde envolvidos na assistência materno-infantil em Três Lagoas.