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Por AUGUSTA RUFINO
No quadro Reflexão e Positividade, uma conversa sobre como o excesso de reclamações pode afetar saúde, relacionamentos, produtividade e a maneira de enxergar a própria vida
A manhã fria desta quarta-feira (24) parecia convidar para um café quente, um chá fumegante e algumas queixas típicas dos dias gelados. Mas o assunto nos estúdios da Jovem Pan de Três Lagoas, 99.5 FM, do Grupo Difusora, tomou outro rumo quando, no quadro Reflexão e Positividade, lancei uma pergunta simples aos ouvintes:
“Você costuma reclamar muito?”
A pergunta ficou no ar, atravessando carros no trânsito, cozinhas em movimento e salas comerciais onde a rotina já havia começado. E foi justamente sobre esse hábito silencioso e repetitivo que a palestrante, mentora e psicanalista Ivete Sigristi trouxe sua reflexão.
— “E qual é o seu recado para esses reclamões de plantão, Ivete?”, perguntei.
Ela respondeu quase sem hesitar:
— “Deixa as preocupações de lado. Deixa as reclamações de lado. Às vezes a pessoa acorda dizendo que nada dá certo, que tudo dá errado, mas precisa parar e pensar: quantas vezes já reclamou só hoje?”
A pergunta parecia carregar mais peso do que aparentava.
Reclamou do frio. Do trânsito. Da pressa. Do trabalho. Do marido. Dos filhos. Do despertador tocando cedo demais.
Segundo Ivete, muitas vezes a reclamação se torna tão automática que deixa de ser percebida.
— “Você se habituou a reclamar. Isso virou um hábito.”
Durante nossa conversa, trouxe também uma reflexão que vai além de comportamento e alcança a saúde mental. Pesquisas recentes mostram que o excesso de pensamentos negativos está relacionado ao aumento dos níveis de estresse, ansiedade e até queda de produtividade.
A partir daí, a discussão ganhou dimensões maiores. Já não se tratava apenas de quem reclama do clima ou do trânsito, mas dos ambientes construídos diariamente — dentro de casa, nas empresas e nos relacionamentos.
Ivete compartilhou experiências pessoais e profissionais, lembrando que precisou passar por processos internos para transformar a própria maneira de enxergar a vida.
— “Eu já fui uma Ivete reclamona. Eu só olhava para o que dava errado e esquecia do que tinha dado certo.”
Seguimos falando de situações comuns: funcionários que reclamam dos patrões, líderes que reclamam das equipes e famílias onde todos parecem presos a um ciclo constante de insatisfação.
Em determinado momento, observei algo que muitas vezes acontece com todos nós:
— “A intenção da reclamação sempre vem. Isso é automático.”
Ivete concordou:
— “Fazer o que é certo não é fácil. O errado muitas vezes já está em nós.”
Entre referências bíblicas, experiências pessoais e observações sobre comportamento humano, a conversa foi desenhando uma conclusão clara: mudar hábitos exige esforço consciente.
No encerramento, uma frase ficou ecoando como mensagem para levar durante o restante do dia:
— “A reclamação é uma âncora que te prende ao problema, mas a ação é o motor que te leva para a solução.”
Lá fora, o frio continuava o mesmo. O trânsito provavelmente também. Os problemas cotidianos seguiriam esperando por cada pessoa ao longo do dia.
Talvez a diferença esteja justamente no olhar que escolhemos lançar sobre eles.