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Marcelo Miranda deixa legado na construção de MS e história ligada ao desenvolvimento de Três Lagoas

Por AUGUSTA RUFINO

 

Segundo governador da história sul-mato-grossense, Marcelo Miranda participou da construção do Estado, teve o RG número 01 e ajudou a escrever capítulos importantes do desenvolvimento regional, incluindo obras ligadas à Usina Jupiá

A morte de Marcelo Miranda Soares, aos 87 anos, nesta terça-feira (23), em Campo Grande, encerra a trajetória de um dos nomes mais ligados aos primeiros passos de Mato Grosso do Sul. Mais do que ex-governador, ex-prefeito e ex-senador, Marcelo foi uma figura que atravessou períodos decisivos da história do Estado e teve sua trajetória diretamente conectada ao desenvolvimento de Três Lagoas.

GRANDES OBRAS

Para além dos cargos ocupados, Marcelo Miranda esteve presente em momentos históricos que ajudaram a moldar Mato Grosso do Sul. Engenheiro civil formado pela Faculdade de Engenharia de Uberaba, ele chegou à região ainda antes da divisão do então Mato Grosso e participou de obras consideradas fundamentais para o crescimento econômico e estrutural do Estado.

Entre elas está a construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Jupiá, localizada entre Três Lagoas e Castilho (SP), uma das maiores obras de infraestrutura do país na época. O empreendimento representou uma verdadeira transformação para Três Lagoas, impulsionando empregos, atraindo trabalhadores, ampliando a movimentação econômica e alterando o perfil da cidade.

Décadas depois, Três Lagoas se consolidaria como um dos maiores polos industriais do país, mas o desenvolvimento local começou a ganhar força ainda naquele período de grandes obras estruturantes. Marcelo Miranda esteve entre os profissionais que acompanharam e participaram dessa fase histórica.

DIVISÃO DO ESTADO

Sua trajetória também se mistura à própria criação de Mato Grosso do Sul. O Estado foi oficialmente implantado em 1º de janeiro de 1979, após a divisão territorial do antigo Mato Grosso, processo que exigiu a construção de uma nova estrutura administrativa, política e institucional.

Marcelo Miranda foi um dos protagonistas desse período. Após ser prefeito de Campo Grande entre 1977 e 1979, foi nomeado governador em junho de 1979 pelo então presidente João Figueiredo, tornando-se o segundo governador da história de Mato Grosso do Sul, sucedendo Harry Amorim Costa.

Entre a saída de Harry Amorim Costa e a posse de Marcelo Miranda, Londres Machado assumiu o governo interinamente por 17 dias, em um momento de transição política e administrativa do novo Estado.

RG HISTÓRICO

Em meio à formação de Mato Grosso do Sul, um fato acabou entrando para a história de maneira simbólica: Marcelo Miranda tornou-se detentor do RG número 01 do Estado.

Com a criação de Mato Grosso do Sul, órgãos públicos precisaram ser estruturados do zero, incluindo a Secretaria de Segurança Pública, responsável pela emissão dos novos documentos. O registro de identidade de número 01 tornou-se símbolo da participação direta de Marcelo no nascimento administrativo sul-mato-grossense.

TRAJETÓRIA PÚBLICA

Durante sua carreira política, Marcelo Miranda também exerceu o cargo de senador da República entre 1983 e 1987 e voltou ao governo do Estado após ser eleito pelo voto direto, permanecendo no cargo entre 1987 e 1991.

Ao longo das administrações, participou de iniciativas importantes para a expansão do Estado, como a implantação de uma linha de transmissão de energia entre Campo Grande e Corumbá, incentivo à criação de novos municípios, investimentos em rodovias e projetos de infraestrutura que ajudaram a integrar regiões antes isoladas.

Marcelo ainda atuou como superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), permanecendo ligado às áreas de desenvolvimento e logística até os anos mais recentes.

LEGADO

A morte de Marcelo Miranda representa não apenas a despedida de um ex-governador, mas também de uma testemunha e personagem ativa de uma fase decisiva da história sul-mato-grossense.

Em Três Lagoas, sua lembrança permanece associada a um período em que grandes obras começaram a desenhar o futuro da cidade. Antes da era da celulose, antes do atual parque industrial, estavam projetos estruturantes como Jupiá — e pessoas que ajudaram a transformar o território em desenvolvimento.

Marcelo Miranda deixa o cenário político, mas permanece ligado a capítulos fundamentais da construção de Mato Grosso do Sul e da história de Três Lagoas.

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