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Liberte-se! O caráter do outro não é problema seu - Difusora FM 99.5

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Liberte-se! O caráter do outro não é problema seu

Por AUGUSTA RUFINO

 

No ‘Momento Reflexão’, Ivete Sigrist desmistifica o caráter, propõe o desapego das condutas alheias e questiona a busca por integridade em um mundo feito de aparências

 

O microfone aberto na Jovem Pan 99.5 FM, do Grupo Difusora, não sintoniza apenas notícias; às vezes, ele capta o eco de nossas próprias consciências. Nesta segunda-feira, dia 25, o quadro Momento Reflexão transformou o estúdio em um espelho ao colocar em pauta uma palavra de sete letras que carrega o peso de uma vida inteira: caráter.

Segundo a frieza dos dicionários, trata-se do conjunto de qualidades, princípios e valores que definem a conduta de alguém. Na prática e no calor da vida real, contudo, caráter é aquilo que sobra quando todas as luzes se apagam e as plateias desaparecem. É o que revelamos ser quando absolutamente ninguém está olhando.

Nos bastidores, antes mesmo que o som ganhasse as ondas do rádio, uma frase solta no ar pela mentora Ivete Sigrist já ditava o tom e a profundidade do encontro: “Caráter… ou se tem, ou não tem”. A provocação, quase um diagnóstico da natureza humana, guiou uma conversa necessária sobre as linhas invisíveis que separam o certo do errado.

A INFÂNCIA TRANSFORMA, O ADULTO DECIDE

Durante o programa, a discussão tocou em um ponto crucial da nossa formação: o tempo. Enquanto a árvore ainda é jovem, é possível guiar o seu crescimento. Na infância, há espaço para lapidar, corrigir desvios de conduta e pavimentar o caminho para um comportamento íntegro. Mas o tempo passa, o cimento seca e o adulto se consolida.

Ivete foi categórica ao lembrar que a mudança no outro é uma ilusão que costuma nos custar caro. Nós não mudamos o caráter de ninguém; a dignidade ou a falta dela no outro é, em última análise, uma escolha estritamente individual. O verdadeiro poder que nos cabe não está em tentar consertar o desvio alheio, mas sim em escolher como reagiremos a ele.

A grande sabedoria compartilhada na manhã de hoje foi o convite ao desapego saudável: deixar o outro com o peso do seu próprio mau caráter e canalizar a nossa energia, preciosa e finita, para o cultivo da nossa própria vida. O que o outro faz, ou o que ele pensa de forma distorcida ao nosso respeito, diz respeito apenas a ele — não a nós.

FILTRO DAS APARÊNCIAS

Viver essa integridade, no entanto, tornou-se um ato de resistência. Fomos levados a refletir sobre a pressão esmagadora de um mundo que se alimenta de aparências, onde o “parecer” muitas vezes engole o “ser”. Manter-se firme aos próprios princípios quando a sociedade aplaude o atalho e a fachada é um desafio diário de coragem.

Nem mesmo o teto compartilhado garante igualdade na alma. O debate trouxe à luz a complexidade das relações familiares. Irmãos que crescem na mesma casa, dividem os mesmos pais e recebem os mesmos ensinamentos, frequentemente desenvolvem caráteres absolutamente distintos. São as interferências do mundo, as escolhas íntimas e a forma como cada indivíduo processa as dores e os aprendizados da vida que moldam caminhos tão distantes.

Ao fim da transmissão, o que ficou flutuando no ar de Três Lagoas foi mais do que um conteúdo de rádio. Foi um eco incômodo e libertador. No banquete de máscaras da vida moderna, a lição de hoje nos lembra que o caráter não aceita meio-termo ou ensaios. Ele simplesmente é. Ou se tem, ou não tem.

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