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Órgão aponta risco sanitário e superlotação como justificativa para campanha de adoção; voluntárias contestam versão oficial e prometem nova mobilização
Por Henrique Ferian
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen-MS) afirmou, em nota oficial, que não procede a denúncia de maus-tratos contra gatos que vivem na Penitenciária de Três Lagoas. Segundo o órgão, os animais continuam recebendo alimentação e cuidados básicos, enquanto a unidade promove uma campanha de adoção responsável voltada a servidores e visitantes.
A Agepen sustenta que a medida foi adotada após orientação da Vigilância Sanitária, que alertou para riscos decorrentes da presença elevada de animais em ambiente de custódia coletiva. Em unidades com grande população carcerária, a concentração de gatos poderia favorecer a proliferação de parasitas e atuar como vetor de zoonoses, especialmente diante do cenário de superlotação.
Atualmente, segundo relatos das próprias protetoras, a penitenciária teria capacidade para 200 internos, mas abriga cerca de 800 — quadro que agrava o debate sanitário. A Promotoria de Meio Ambiente de Três Lagoas realizou vistoria no local. Ainda conforme a Agepen, a unidade não possui estrutura técnica nem previsão orçamentária para atendimento veterinário, razão pela qual a adoção seria a alternativa mais adequada.
A agência também esclareceu que a entrada de ração para gatos não é autorizada, pois o item não consta no rol de produtos permitidos para entrega nas unidades prisionais, conforme normativas institucionais vigentes. A flexibilização, segundo a nota, comprometeria protocolos de segurança.
A resposta oficial, no entanto, provocou reação imediata das protetoras.
A presidente da ONG Protetoras, Charlene Bortoleto, contestou a justificativa sanitária e questionou a coerência do argumento diante das condições estruturais do presídio.
“Com a superlotação do presídio em Três Lagoas, com capacidade para 200 e hoje tem 800, a Agepen está dizendo que os gatos são questão de saúde pública? E os ratos? E a sujeira que eles vivem lá, não prolifera baratas, ratos, escorpiões? Esses dias o gato matou uma cobra”, afirmou.
Ela defende que os felinos ajudam no controle de pragas dentro da unidade. “Não venham jogar a culpa nos gatos, que aliás são eles que diminuem os insetos dos presídios. Todos são castrados, vacinados e vermifugados”, declarou.
Charlene também fez críticas diretas à atual direção da unidade prisional. “Estou sabendo que sumiram alguns gatos. Nós vamos voltar aí de novo com mais gente dessa vez”, disse, acrescentando em tom de revolta: “Fora diretor. Animais têm mais valor”.
As declarações elevam o tom do embate e ampliam a pressão por esclarecimentos objetivos. As protetoras querem saber como está sendo feita a alimentação diária dos animais, qual o número atualizado de gatos na unidade e se houve de fato redução sem comunicação prévia.
O episódio ocorre em um momento em que o município ainda enfrenta questionamentos sobre a atuação do Departamento de Bem-Estar Animal, criado no ano passado e que, segundo voluntárias, segue sem apresentar ações estruturadas ou mediação institucional em casos sensíveis como este.
Entre protocolos de segurança, argumentos sanitários e críticas à gestão, o impasse permanece. E, enquanto Estado e voluntárias divergem publicamente, a situação dos animais dentro da penitenciária segue no centro da controvérsia.