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Por AUGUSTA RUFINO
Bióloga e presidente da ONG Cutia do Cerrado alertou para os impactos climáticos na região e propôs soluções que vão do plantio urbano à reciclagem caseira de óleo
O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta sexta-feira (5), trouxe uma reflexão urgente para os microfones da Jovem Pan 99.5 FM, do Grupo Difusora. No estúdio, recebemos a bióloga, ativista e presidente da ONG Cutia do Cerrado, Helena Akira, para discutir a necessidade de proteger o coração ecológico do Brasil. Em uma conversa franca, Helena trouxe dados alarmantes e, ao mesmo tempo, caminhos práticos para mostrar que a preservação ambiental começa nos hábitos diários de cada cidadão.
Diferente do bioma Pantanal, que registrou uma queda nos índices de desmatamento neste ano, o Cerrado enfrenta uma pressão severa por ser considerado o grande celeiro produtor de alimentos do país e do mundo. A bióloga fez um alerta contundente sobre o papel invisível, mas vital, dessa vegetação para o Mato Grosso do Sul: a recarga do Aquífero Guarani. Proteger o solo e as raízes do Cerrado significa, diretamente, salvaguardar as maiores reservas de água doce que abastecem a nossa população.
Com a iminente chegada do fenômeno climático El Niño e a intensificação das mudanças ambientais, Três Lagoas já sente o peso dos bolsões de ar quente. Helena apresentou dados práticos dessa realidade urbana, comparando a sensação térmica da cidade. Na região do antigo quartel, uma área visivelmente mais arborizada, a temperatura chega a ser de três a quatro graus mais fresca do que em pontos áridos e pavimentados, como os arredores do Correio e da Escola Adão.
Fazer oposição ao desmatamento exige organização e suporte. À frente da ONG Cutia do Cerrado, a presidente detalhou os bastidores e os desafios de gerenciar uma associação do terceiro setor, que não está atrelada às verbas públicas fixas ou a grandes conglomerados. O financiamento das pesquisas e das ações de campo depende diretamente de editais e de engajamento voluntário.
Uma das principais frentes de atuação da ONG é atuar como uma ponte integradora entre a comunidade acadêmica e a sociedade civil. Helena relembrou iniciativas de sucesso desenvolvidas recentemente, como o Seminário da Manga, realizado na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) com o apoio de cientistas e de indústrias da região, como a Eldorado Brasil. O evento levou técnicas de empreendedorismo rural e fruticultura diretamente aos pequenos produtores da região de Três Lagoas.
O trabalho da instituição expande as barreiras da ecologia tradicional e alcança o desenvolvimento humano e a saúde mental. Através de um projeto financiado pela cooperativa Sicredi, a ONG promoveu oficinas de cultivo de rosas do deserto como terapia ocupacional para pessoas em tratamento contra o câncer, depressão e ansiedade. Na Paróquia Santa Lúcia, a entidade também investiu no bem-estar de crianças e jovens através de aulas de violão, teatro e canto coral, engajando redes familiares inteiras.
Para celebrar a data com atitudes concretas, a bióloga convocou a audiência da rádio para uma mobilização direta de arborização urbana. A ONG Cutia do Cerrado está disponibilizando mudas de árvores nativas e frutíferas apropriadas para o plantio em calçadas e quintais, respeitando a engenharia de raízes e as normas municipais para evitar danos nas estruturas urbanas. Os ouvintes interessados em indicar locais para plantio ou receber as doações podem entrar em contato pelas redes sociais.
Outra recomendação prática e imediata voltada para a rotina doméstica é o descarte correto do óleo de cozinha. Helena enfatizou o impacto devastador de despejar resíduos gordurosos na pia ou diretamente no solo, contaminando o lençol freático. Como alternativa ecológica e de economia doméstica, ela sugeriu a produção de sabão caseiro a partir do óleo residual e se colocou à disposição para enviar o passo a passo da receita aos moradores.
Encerrando o encontro com um chamado à autoresponsabilidade coletiva, a mensagem principal fixada no estúdio foi a de que o meio ambiente não se resume a uma árvore isolada, mas engloba o espaço onde vivemos, o que consumimos e a forma como gerenciamos nossos resíduos. A consciência ecológica não pertence a uma data isolada no calendário; deve se consolidar como uma postura permanente em defesa do futuro.
Para tirar dúvidas sobre a receita de sabão caseiro, solicitar a doação de mudas nativas do Cerrado ou conhecer os projetos da instituição: @helenaakiraoficial