
Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

POR HENRIQUE FERIAN
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul intensificou o planejamento preventivo para o período de estiagem e incêndios florestais em Três Lagoas e toda a região do Bolsão. Em entrevista ao Jornal da Manhã nesta terça-feira (26), o tenente Reinaldo Cândido, do 5º Grupamento de Bombeiros Militar (5º GBM), explicou as ações que já estão em andamento para evitar grandes ocorrências durante os meses mais secos do ano.
Segundo o oficial, o planejamento começou ainda no fim de março e início de abril, com reuniões técnicas coordenadas pelo Departamento de Proteção Ambiental (DPA) do Corpo de Bombeiros Militar. O trabalho envolve levantamento de viaturas, equipamentos, análise de áreas críticas e cruzamento de dados de incêndios registrados nos últimos anos.
“Hoje existe toda uma programação. O Corpo de Bombeiros está preparado e monitorando constantemente. A gente trabalha com planejamento antecipado justamente para evitar que as situações saiam do controle”, afirmou.
Uma das principais estratégias para 2026 será a implantação de uma base avançada de combate a incêndios florestais em Aparecida do Taboado, prevista para a segunda quinzena de junho.
De acordo com Cândido, a escolha do município é estratégica por estar localizado praticamente no centro da área de atuação do 5º GBM, que abrange 11 municípios do Bolsão, incluindo Três Lagoas, Água Clara, Brasilândia, Paranaíba, Inocência, Cassilândia, Santa Rita do Pardo e Chapadão do Sul.
“Nós somos a maior área do Corpo de Bombeiros no estado. Temos um grande maciço florestal e precisamos reduzir o tempo de resposta das equipes”, explicou.
O tenente destacou que o modelo foi testado em 2025 como experiência piloto e apresentou resultados positivos, motivando a continuidade da estratégia neste ano.
Outro ponto ressaltado durante a entrevista foi a forte integração entre o Corpo de Bombeiros e as empresas do setor de celulose instaladas na região, como Suzano, Eldorado, MS Florestal e outras companhias ligadas ao reflorestamento.
Segundo o oficial, atualmente existe um sistema de monitoramento por torres com câmeras instaladas nas áreas florestais, capazes de identificar focos de incêndio rapidamente, inclusive em regiões afastadas e próximas ao Rio Paraná.
“Hoje não existe camisa quando o assunto é incêndio florestal. A camisa é o meio ambiente e apagar o incêndio”, afirmou.
Além das câmeras, grupos de comunicação instantânea entre bombeiros e gestores das empresas agilizam o deslocamento de equipes, aeronaves, helicópteros e brigadistas para o combate aos focos.
Apesar da preparação intensa, o tenente explicou que o cenário atual é mais tranquilo devido ao grande volume de chuvas registrado nos últimos meses.
Segundo ele, o mato ainda permanece verde em diversas regiões, o que reduz significativamente o risco imediato de queimadas de grandes proporções, diferentemente do que ocorreu em 2023 e 2024, quando Três Lagoas e outras cidades do Bolsão enfrentaram incêndios severos.
“A combinação de calor intenso, clima seco e vegetação seca é extremamente perigosa. Neste ano, pelo menos até agora, a situação está mais controlada”, disse.
Durante a entrevista, Cândido também chamou atenção para os incêndios em residências, que seguem ocorrendo em média duas vezes por mês em Três Lagoas.
Segundo ele, a maioria dos casos está relacionada a problemas elétricos, instalações clandestinas e uso inadequado da rede elétrica.
“A prevenção é sempre mais barata. Muitas vezes as pessoas relaxam com a parte elétrica da residência e isso acaba causando tragédias”, alertou.
O tenente destacou que, diferentemente dos comércios — que passam por vistorias e precisam cumprir normas de segurança —, as residências são isentas de fiscalização mais rígida, o que aumenta os riscos.
Ele relatou ainda o impacto emocional das ocorrências para as equipes de resgate.
“É uma das ocorrências mais difíceis. Você chega e vê uma família que perdeu tudo, às vezes ficou apenas com a roupa do corpo. Não existe palavra para consolar”, comentou.
Outro tema abordado foi a diminuição significativa nos casos de afogamento na região. Segundo o bombeiro, a atuação mais intensa da Marinha do Brasil em Três Lagoas contribuiu para maior fiscalização em rios e embarcações.
O uso de coletes salva-vidas e a conscientização sobre os riscos de pilotar embarcações sob efeito de álcool também ajudaram na redução dos acidentes.
“Hoje a fiscalização é maior e isso trouxe resultados. Tivemos uma queda drástica nos afogamentos”, afirmou.
Além dos incêndios, o tenente demonstrou preocupação com o crescimento acelerado do trânsito em Três Lagoas, diversos pontos da cidade já apresentam congestionamentos frequentes, especialmente nos horários de pico.
Entre os locais citados estão a região da BR-158, próximo ao antigo trevo da Mabel, além de cruzamentos da área central e vias de acesso aos bairros industriais.
“O trânsito da cidade está surreal. A tendência é piorar ainda mais se não houver planejamento”, alertou.
A possível retomada da fábrica de fertilizantes UFN3 também foi tema da entrevista. O tenente afirmou que o Corpo de Bombeiros já discute os riscos relacionados ao transporte de amônia e outros produtos perigosos que poderão circular pela região.
Segundo ele, o assunto já é debatido dentro do grupo, formado por órgãos de emergência e ambientais especializados em prevenção e resposta a acidentes químicos.
“A amônia é um produto de alto risco. A população precisa ser orientada e treinada para situações de emergência”, explicou.
Cândido afirmou ainda que existem preocupações relacionadas à estrutura da planta industrial, que está parada há anos, incluindo tanques e reservatórios expostos ao tempo.
Ao final da entrevista, o tenente reforçou que o Corpo de Bombeiros segue monitorando os riscos e trabalhando preventivamente em diversas frentes para proteger a população do Bolsão.
“A gente precisa estar sempre antenado e um passo à frente dos acontecimentos. Esse é o nosso papel”, concluiu.
Confira a entrevista: