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Críticas das redes sociais incomodam e vereador reage: “se candidate”

Visivelmente incomodado com críticas nas redes, vereador disse que quem aponta problemas deveria se candidatar e disputar uma vaga na Câmara

Por Henrique Ferian

O pronunciamento do vereador e líder do prefeito na Câmara Sargento Rodrigues durante o grande expediente da 3ª Sessão Extraordinária desta sexta-feira, na Câmara Municipal de Três Lagoas, produziu um efeito que coloca em debate um direito que, em uma democracia, sequer deveria ser questionado, o direito da população de criticar o poder público.

Ao direcionar críticas a pessoas que produzem vídeos e conteúdos nas redes sociais apontando problemas da cidade ou criticando vereadores e o prefeito, o parlamentar fez um desabafo político que, na prática, acabou atingindo um campo sensível: a liberdade de expressão e o direito de fiscalização social.

Na própria fala, o vereador reconheceu que é legítimo apontar defeitos da cidade, inclusive nas áreas de saúde e infraestrutura. Ainda assim, criticou duramente quem expõe falhas da administração ou de agentes públicos, classificando esse comportamento como uma forma inadequada de atuação política e afirmando que produzir conteúdos mostrando problemas urbanos seria algo fácil, ao contrário do trabalho institucional de resolver demandas.

O ponto central é que esse tipo de manifestação pública — seja por cidadãos comuns, jornalistas ou criadores de conteúdo — não apenas é legítimo, como é protegido por princípios constitucionais fundamentais. A Constituição Federal assegura a livre manifestação do pensamento, a liberdade de informação e o exercício da atividade jornalística sem censura prévia. Esses direitos não se restringem à imprensa tradicional: alcançam qualquer cidadão que se manifeste sobre assuntos de interesse coletivo, inclusive nas redes sociais.

Apontar buracos, denunciar alagamentos, registrar falhas no atendimento público, cobrar respostas e criticar autoridades são práticas que integram o funcionamento normal de uma democracia. Mais do que isso: são instrumentos de controle social sobre o poder público.

Em cidades de médio e grande porte, como Três Lagoas, a exposição pública de problemas urbanos tornou-se parte do cotidiano administrativo. Muitas demandas chegam ao poder público justamente porque foram antes registradas, compartilhadas e amplificadas pela população. A crítica pública, nesse sentido, não é apenas opinião — é também mecanismo de pressão por solução.

Por isso, o episódio chama atenção menos pelo conteúdo político imediato e mais pelo simbolismo institucional. Quando um agente público reage à crítica social como se ela fosse essencialmente um problema, o risco é deslocar o foco do debate: em vez de discutir as falhas apontadas, discute-se o direito de apontá-las.

E é exatamente aí que está o ponto mais sensível do discurso. A crítica pública pode ser incômoda, dura, exagerada ou até injusta em alguns casos — mas continua sendo um direito. Questioná-la, ainda que indiretamente, tende a produzir o efeito contrário ao pretendido: reforça a percepção de que a manifestação social incomoda mais do que os próprios problemas denunciados.

Sob esse aspecto, a fala do vereador poderia simplesmente não ter acontecido — ou poderia ter passado como uma observação lateral em meio ao restante do pronunciamento. Ao ganhar tom de reprimenda pública, acabou transformando um tema pacífico no campo constitucional em um debate político desnecessário.

Isso não elimina a outra dimensão mencionada pelo parlamentar: o trabalho institucional de encaminhar demandas, dialogar com secretarias e buscar soluções concretas. Essa é, de fato, a função do mandato legislativo. Mas essa atuação não substitui — nem compete com — o direito da sociedade de observar, registrar e cobrar.

Democracias funcionam justamente pela coexistência dessas duas forças: representação formal e vigilância social permanente.

O episódio envolvendo a fala do nobre edil, portanto, não revela apenas um desabafo político. Ele expõe um ruído de compreensão sobre o papel da crítica pública. Em um ambiente democrático consolidado, o direito de apontar problemas da cidade — seja pela imprensa, seja por moradores com um celular na mão — não deveria ser objeto de desconforto institucional, muito menos de reprovação política.

Porque, no fim das contas, a crítica pública não é um desvio do sistema.
Ela é parte essencial dele.

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