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Em prol do Dia do Orgulho Autista comemorado no último dia 18 de junho, a AFADA, Associação Fazendo a Diferença no Autismo, promove nesta terça-feira, 28, a Palestra da Família Brito Sales, referência nacional para adolescentes com TEA (Transtorno do Espectro Autista), familiares e profissionais da área. Ariane Pimenta, primeira secretária e uma das fundadoras da associação esteve no Difusora Notícias e falou a respeito do encontro que acontece hoje às 19h. As inscrições podem ser realizadas antecipadamente aqui ou no local do evento hoje.
De acordo com a Ariane, a associação conta com quase 200 mães ativa. Ela estima que na rede matriculada de ensino público há quase 200 alunos autistas, “sem contar a rede privada e os autistas adultos, que inclusive só foram diagnosticados depois dos 20 anos e nunca fizeram acompanhamento e terapia. Que tiveram dificuldade a vida toda ou se formaram, mas sem o devido olhar para as dificuldades e perderam a oportunidade de estar no mercado”. destacou, estimando ainda que pode haver mais de 400 autistas em Três Lagoas.
A AFADA norteia mães na busca por apoio especializado para filhos autistas

Ariane Pimenta, primeira secretária e uma das fundadoras da associação.
A Associação Fazendo a Diferença no Autismo foi fundada em 2017. Sem sede ainda, consiste em grupos de mães que buscam oferecer amor e informação. “Muitas vezes a mãe sai do consultório com um laudo, mas não sabe nem por onde começar. Onde buscar tratamento, terapia… se é via SUS, onde ela começa nessa busca, se é via plano de saúde. Então, assim, a gente busca amparar essas mães e passar informações”, afirma a vice sobre a dificuldade que a mãe enfrenta na busca por atendimento e terapia para o filho.
A primeira secretária da associação destaca, também que a partir do momento em que é diagnosticada com autismo, a pessoa precisa de um acompanhamento médico, neuropediátrico e psiquiatrico infantil (se for criança) ou, quando adulto, psiquiatra para pessoas adultas, além de passar por terapias comportamentais como o ABA (Applied Behavior Analysis ou Análise do Comportamento Aplicado) – ciência muito nova que ainda carece de profissionais -, terapia com fonoaudiólogos para atender ao déficit de fala (em maior ou menor grau para todos os autistas) e terapia ocupacional. “A gente tem falta de profissionais. Mato Grosso do Sul não tem faculdade de Terapia Ocupacional e Fonoaudiólogo presencial. Então a gente não tem onde buscar esses profissionais, geralmente eles vêm de fora. Por mais que a mãe tenha condições de pagar as sessões, ela vai ficar numa fila de espera”, conta. Ela destaca que uma das lutas da AFADA é para trazer uma clínica especializada e profissionais especializados em autismo para atender às crianças de Três Lagoas.
Outro desafio para as mães de pessoas autistas é a inserção do filho na escola. Entre os empecilhos mais comuns, Ariane destaca a falta de informação por parte dos profissionais da educação. Para ela é importante haver uma força tarefa para atender alunos autistas e a compreensão dos professoras e acompanhantes escolares sobre o que o aluno autista gosta, o que o acalma, qual a sua dificuldade e em como ele pode ser encaixado. Ela também sonha com o dia em que as escolas tenham analistas do comportamento e salas sensoriais para que o aluno autista se acalme, além de atividades adaptadas para esse aluno.
Sobre a integração do autista no ensino regular, a Ariane destaca que é favorável: “Sou a favor da interação. Até porque, um autista dentro da escola, não é só ele que vai aprender. Outras crianças vão aprender com ele. Essa questão da inclusão, existe essa via de duas mãos” destaca ela sobre a importância de adequar o autista ao convívio e aprendizado com a sociedade e ensinar aos alunos sobre o respeito às diferenças e à inclusão do autista.
A Família Brito Sales
Compreender e contemplar a diversidade do autista para nortear as mães é a missão da AFADA. Ariane Pimenta destaca que na literatura médica, o DSM (Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais), que cita a diversidade de déficits entre autistas – de comunicação, interações social e no comportamento: “A criança pode ter hiperfoco, comportamentos repetitivos, apego a rotina, déficit de comunicação, mas no dia a dia, como disse Berenice Piana que também é uma mãe de autista e autora da leia que ampara o autista, ‘o autismo vai do um ao infinito'” destaca ela a respeito da diversidade entre autistas, mesmo em um mesmo grau.
Referência no debate sobre o orgulho e necessidades do autista, a Família Sales roda o Brasil levando informação, esperança e o case de sucesso do Nicolas Brito. A mãe, Dra. Anita Brito é professora há muitos anos e neurocientista. O Nicolas é um autista adulto que hoje é fotografo e palestrante e com o pai, Alexsander, eles viajam por diversas cidades. Com a AFADA o apoio do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, IFMS, além do suporte da vereadora Sayuri, eles passam hoje (28) por Três Lagoas. : “A expectativa é que seja uma noite de troca de experiências, de compartilhar amor e histórias. O Nicolas fala que cada um tem a sua história e é verdade, cada autista tem a sua história”, fala, destacando também a importância de trazer a história do Nicolas e trazer por meio desse encontro, inspiração para as mães.
Por Rodrigo de Freitas