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Por Henrique Ferian
Celebrado em 6 de janeiro, o Dia de Santo Reis é uma das manifestações religiosas e culturais mais antigas do cristianismo popular. Em Três Lagoas (MS), a data segue sendo marcada por fé, música e devoção por meio da atuação da Companhia de Folia de Reis Estrela de Belém, que percorre bairros da cidade levando cânticos, orações e símbolos que atravessam gerações.
Durante o dia 6 de janeiro, integrantes da companhia estiveram percorrendo Três Lagoas, dando continuidade ao tradicional giro da Folia de Reis, que já passou por diversos pontos do município. À frente do grupo está o festeiro Cleiton Veloso de Castilho, acompanhado de sua esposa Edelma, responsáveis por manter viva uma tradição familiar que remonta a 1942.
“Essa tradição vem desde 1942. Eu já sou a sexta geração e espero que meus filhos continuem depois de mim. Não é fácil. São 12 dias fora de casa, muitas vezes sem almoço, sem jantar, sem banho, mas a fé é maior”, relata Cleiton.
A Folia de Reis relembra a visita dos Três Reis Magos — Gaspar, Melquior e Baltazar — ao Menino Jesus, após seu nascimento, guiados pela Estrela de Belém. Durante o período que vai do Natal até o Dia de Reis, os foliões percorrem casas entoando cantos religiosos, levando a bandeira, instrumentos e personagens simbólicos, como os palhaços, que representam a proteção do grupo durante o caminho.
Atualmente, a Companhia Estrela de Belém conta com 28 integrantes, embora nem todos consigam participar diariamente devido ao retorno ao trabalho após as festas de fim de ano. Mesmo assim, o compromisso com a tradição permanece firme.
“A juventude hoje conhece pouco. A maioria das visitas é feita a pessoas mais antigas, avós e famílias que já têm essa vivência. Nosso desafio é ensinar, ensinar e ensinar para que isso não morra”, destaca Edelma.
Apesar de sua importância histórica e religiosa, a Folia de Reis ainda enfrenta incompreensão. Cleiton relata episódios de preconceito durante as apresentações.
“Às vezes as pessoas passam e falam coisas que não sabem, chamam de macumba. A gente só responde: ‘Deus abençoe’. Santo Reis é milenar. Foram os primeiros a adorar o Menino Deus.”
A companhia encerrou os cantos nodia 6, mas a festa de encerramento acontece no sábado, dia 10 de janeiro Centro Comunitário do Paranapungá, A programação terá início às 17h, com a chegada da Companhia de Reis, seguida da reza do Terço de Santo Reis, em um momento de fé e devoção. Após o momento religioso, será servido jantar com comidas típicas, além de baile, celebrando a cultura popular e a tradição passada de geração em geração reunindo comunidade e foliões em um momento de confraternização, jantar e baile.
Entre os maiores desafios do grupo está a formação de novos músicos e cantadores, especialmente para substituir mestres mais antigos, responsáveis pelos instrumentos e pelas modas tradicionais.
Diante disso, a Companhia Estrela de Belém busca se estruturar formalmente, com documentação e CNPJ, para viabilizar projetos culturais voltados às crianças e jovens da comunidade, com aulas de pandeiro, viola, violão, cavaquinho e canto.
“Nosso futuro é o ensinamento. Não é só o giro. É passar isso para as crianças de hoje, para que amanhã elas sejam os reizeiros”, afirma o festeiro.
No Brasil, a Folia de Reis é especialmente forte em estados como Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Mato Grosso do Sul, combinando elementos religiosos, musicais e culturais que variam conforme a região. Reconhecida como patrimônio cultural imaterial em vários municípios, a manifestação é considerada uma das expressões mais ricas da religiosidade popular brasileira.
No mundo, a celebração do Dia de Reis também é tradicional em países como Portugal, Espanha, Itália, França e México, onde é conhecida como Epifania. Em algumas culturas, a data é marcada por procissões, missas solenes, distribuição de doces e encenações da visita dos Reis Magos.
Quem deseja conhecer mais sobre a Folia de Reis ou acompanhar o trabalho da companhia pode buscar nas redes sociais:
Enquanto houver fé, a tradição segue viva.
“Enquanto eu tiver vida, eu sou reizeiro. Nada vai me segurar”, finaliza Cleiton Veloso de Castilho.
Confira a Reportagem: