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O skate surgiu nos Estados Unidos na década de 60 e até hoje sua origem só se explica por hipóteses. A primeira é que a prática tenha surgido do desejo de alguns surfistas ávidos por pegar ondas mesmo em dias mais calmos, outra ideia é de que os patins tenham originado esse conceito de deslizar no asfalto sem calçados apertando os pés. Em comum, as hipóteses têm o fato de que foi em cima de um pedaço de madeira que os primeiros esportistas deram início à história do skatismo fazendo surgir uma comunidade com estilo de vida, atitude, cultura, mitos e esportistas promissores como a Rayssa Leal, e vivências da rua, como a do Renato Hernandes, morador de Três Lagoas (MS).

Eduardo Hernandez é skatista há 17 anos. Foto: arquivo pessoal
A história de encontro do Renato com o esporte até se parece com o primeiro conceito em que o skate foi criado. Em 2004, por meio de um amigo, o esportista se encantou ao ver, pela primeira vez, um skate improvisado com armário e velas. Sob o brinquedo improvisado estavam três amigos que despertaram a curiosidade e o encanto do rapaz: “Fiquei curioso e encantado pois nunca tinha visto aquilo. Achei até que o skate fosse colado no pé. Pedi ao Diogo (um amigo) para andar, joguei no chão e ainda subi a sarjeta – não sei como – pois eu nunca havia andado antes”, conta Eduardo que precisou apresentar o seu amigo à família para comprovar que desconhecia o skate.
Da brincadeira improvisada até hoje, foram mais de 17 anos de prática na vida do esportista que descobriu seu dom na modalidade street – aquela onde o skatista desliza pelo asfalto e tem como obstáculo tudo o que faz parte da rua como: bancos, corrimões de escada e sarjetas. “O skate é tudo na minha vida. Sem ele talvez eu teria optado por um caminho obscuro, sem volta “, conta o rapaz que hoje coleciona medalhas e troféus das edições de Circuito Paulista Street que participou e que é hoje é ranqueado pelo Campeonato Brasileiro de Skate.
Nas ruas pelo esporte, o skatista encarou o preconceito e a falta de apoio
De essência urbana, o skate também está sujeito à barreiras mais complexas que as rodas possam deslizar: a violência, marginalização e a discriminação. Obstáculos esses que o Eduardo já teve que encarar de frente: “Já fui preso por vandalismo, apanhei bastante e até os dias de hoje sou repreendido, mas isso faz parte. O mundo está mudando, evoluindo e creio que as pessoas e a sociedade também”, disse.
Outra forte questão era a falta de incentivos e patrocínios: “Também já passamos por poucas e boas para andar de skate. Falta de apoio, de patrocinadores, e dinheiro para transporte”, comentou.
No entanto, as adversidades não puseram fim ao desejo de competir e curtir o esporte e, assim, Eduardo fez uma manobra de lip – saltou sobre os obstáculos – para chegar até aqui, como skatista, e sente orgulho em presenciar a competição pela primeira vez nas olimpíadas. “O skate foi evoluindo, ganhando seu espaço com lindas manobras e abrindo caminhos até na moda e no estilo de ser e se vestir. Os materiais evoluíram, tênis, equipamentos, rodas, trucks e agora é um grande esporte olímpico, o segundo mais praticado em todo mundo e espero que continue assim: mudando, evoluindo, crescendo, como quadro social e tirando crianças e jovens do mundo da rua e do crime”, concluiu.
Sobre o skate, Eduardo Hernandes segue na direção do futuro, dando saltos e seguindo o desejo de fazer cada vez mais pelo skate três-lagoense e sul-mato-grossense, de olho, principalmente nas condições das pistas e no apoio que os atletas das próximas gerações vão precisar para saltar apenas sob os obstáculos das ruas.
Por Rodrigo de Freitas e Lia Kosta