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Por AUGUSTA RUFINO
Idealizadora da primeira Corrida Nascer de Conscientização da Prematuridade, falou sobre acolhimento neonatal e a força das mães de bebês prematuros
No meio da programação musical da Jovem Pan 99,5 FM, uma pausa diferente abriu espaço para um assunto delicado, mas urgente. Falar de prematuridade é falar de vida antes da hora. É falar de mães que deixam maternidades sem os filhos nos braços. De incubadoras. De medo. De esperança. E também de profissionais que transformam técnica em acolhimento.
Foi assim que a médica pediatra e neonatologista Joicy Leal estreou, nesta quinta-feira (7), o quadro Saúde + Vida, na programação da Jovem Pan, do Grupo Difusora.
CHAMADO
Antes de ser médica, Joicy gosta de se definir como cristã, esposa, mãe e filha. A medicina veio acompanhada de propósito. A neonatologia, segundo ela, nasceu como um chamado.
Ainda durante os primeiros contatos com a sala de parto, percebeu que queria dedicar a carreira aos recém-nascidos, principalmente aos mais frágeis. Aqueles que chegam antes do tempo.
Desde então, construiu a trajetória voltada ao atendimento neonatal, área responsável pelos cuidados intensivos dos bebês nos primeiros dias de vida.
PREMATURIDADE
A entrevista teve como ponto principal o lançamento da primeira Corrida Nascer de Conscientização da Prematuridade, evento previsto para novembro em Três Lagoas.
A ideia surgiu durante um plantão na UTI neonatal. Em meio à rotina hospitalar, Joicy percebeu que muitas pessoas ainda desconhecem os riscos, as causas e a dimensão da prematuridade.
Segundo ela, todo bebê que nasce antes das 37 semanas é considerado prematuro. Dependendo do tempo gestacional, os cuidados se tornam ainda mais delicados e intensivos.
A médica destacou que parte dos casos pode ser evitada com planejamento familiar, pré-natal adequado e hábitos saudáveis durante a gestação.
NASCER
A relação de Joicy com o cuidado neonatal também se reflete na clínica criada por ela em Três Lagoas. A Nascer surgiu com foco em atendimento humanizado, principalmente para recém-nascidos e crianças pequenas.
Entre os diferenciais está o atendimento domiciliar neonatal e pediátrico, permitindo que bebês recém-nascidos recebam acompanhamento sem precisar ser expostos a ambientes hospitalares e consultórios logo nos primeiros dias de vida.
A médica também realiza fototerapia domiciliar, tratamento utilizado em casos de icterícia neonatal, condição bastante comum em recém-nascidos.
Além disso, acompanha gestantes ainda durante o pré-natal, participando inclusive do planejamento do parto e da chamada “golden hour”, considerada a primeira hora de vida do bebê, fundamental para o vínculo e estabilidade neonatal.
ACOLHIMENTO
Ao longo da entrevista, Joicy reforçou diversas vezes a importância da humanização na medicina.
Para ela, conhecimento técnico precisa caminhar junto do acolhimento emocional das famílias, especialmente em momentos delicados como uma internação em UTI neonatal.
O olhar atento à rotina da criança, ao ambiente familiar e às necessidades emocionais dos pais também faz parte do atendimento.
MÃES FORTES
Nos minutos finais da conversa, a médica deixou uma homenagem às mães de bebês prematuros.
Emocionada, descreveu a força de mulheres que enfrentam o puerpério enquanto acompanham os filhos em UTIs neonatais, muitas vezes precisando deixar os bebês temporariamente sob cuidados médicos para tentar descansar, se alimentar ou simplesmente respirar diante da exaustão física e emocional.
Para Joicy, essas mães carregam uma força silenciosa que poucas pessoas conseguem compreender completamente.
A entrevista terminou como começou. Falando de vida. Mas principalmente da necessidade de olhar para ela com mais cuidado desde o primeiro instante.