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Por Henrique Ferian
O ano mudou, mas os problemas enfrentados por usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em Três Lagoas seguem os mesmos. Moradores de diferentes bairros relatam situações recorrentes de falta de medicamentos básicos, falhas no sistema de agendamento e ausência de previsibilidade no atendimento nas unidades de saúde do município.
No bairro Vila Nova USF Miguel Nunes, um morador procurou recentemente a unidade de saúde local em busca de medicamentos simples e essenciais, como dipirona e paracetamol, e se deparou com a falta dos dois itens na farmácia da unidade. Segundo ele, foi informado de que a dipirona só estaria disponível na unidade do Interlagos, obrigando o deslocamento para outro bairro para conseguir um remédio básico, amplamente utilizado no tratamento de dor e febre.
Além da ausência dos medicamentos, o morador relatou que o sistema de marcação de consultas estava fora do ar, o que impediu qualquer tentativa de agendamento naquele momento. A indignação foi expressa publicamente nas redes sociais, onde ele escreveu:
“Um bilhão e quinhentos milhões de arrecadação, no postinho não tem dipirona, paracetamol e hoje nem sistema. Pobre não aprende, elegem quem governa para os ricos.”
A crítica expõe um sentimento compartilhado por muitos usuários do SUS no município: a distância entre os números do orçamento público e a realidade vivida dentro das unidades de saúde.
Situação semelhante é relatada por moradores da região atendida pela USF Vila Haro, onde as dificuldades para conseguir atendimento médico vêm sendo denunciadas desde o final de 2025. Em em novembro do ano passado, pacientes que buscaram a unidade para marcar consultas foram informados de que os agendamentos estavam suspensos devido à proximidade do fim do ano e do período de recesso. A orientação foi retornar no início de janeiro de 2026, quando o atendimento estaria normalizado.
No entanto, ao seguir essa orientação e retornar no início deste ano, os usuários encontraram um novo obstáculo. Conforme relatado, a unidade passou a informar que não estava realizando agendamentos prévios, alegando que o tempo de espera para consulta seria muito longo. Como única alternativa, os pacientes foram orientados a comparecer diariamente à unidade por volta das 6h30 da manhã para tentar uma vaga por encaixe, sem qualquer garantia de atendimento.
A lógica desse procedimento é amplamente questionada pela população. O sistema de encaixe obriga pacientes a enfrentar filas, penalizando especialmente trabalhadores, idosos e pessoas com problemas de saúde, que muitas vezes não têm condições físicas ou financeiras de aguardar por horas sem saber se serão atendidos.
“Primeiro dizem para voltar no ano seguinte, depois dizem que não marcam consulta e que é preciso chegar de madrugada para tentar encaixe. A gente fica sem saber o que fazer e sem atendimento”, desabafa uma usuária da unidade.
A ausência de um sistema claro de agendamento, somada à falta de medicamentos básicos e às falhas recorrentes nos sistemas informatizados, amplia a sensação de abandono e insegurança entre os usuários do SUS em Três Lagoas. Em um município que trabalha com um orçamento bilionário, situações como essas revoltam os moradores da cidade, especialmente na atenção básica, que deveria ser a porta de entrada do sistema de saúde.