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Felipe Nunes destaca o papel da imprensa no ano eleitoral

Por AUGUSTA RUFINO

 

Cientista político e fundador da Quaest defende o acesso à informação de qualidade, o diálogo democrático e a importância das pesquisas para orientar o eleitor em um cenário de disputa acirrada

Em tempos de redes sociais, excesso de informações e crescimento da desinformação, o papel da imprensa profissional e das pesquisas eleitorais ganha ainda mais relevância. Para o cientista político e fundador da Quaest, Felipe Nunes, o acesso a dados confiáveis e ao jornalismo responsável é fundamental para que a população tome decisões conscientes nas urnas.

Especialista em opinião pública e pesquisas eleitorais, Felipe observa que o cenário político brasileiro segue competitivo e deve proporcionar uma disputa intensa nas próximas eleições. No entanto, ele destaca que, acima dos nomes e das estratégias partidárias, o principal protagonista continua sendo o eleitor.

Informação de qualidade

Segundo Felipe Nunes, pesquisas e veículos de comunicação sérios cumprem uma função essencial para a democracia ao democratizar o acesso à informação e oferecer conteúdo confiável para a população.

Para ele, o eleitor precisa ter contato com dados qualificados, análises responsáveis e diferentes pontos de vista para exercer sua escolha de forma consciente.

“O eleitor é soberano na democracia. Cabe à imprensa profissional e às pesquisas fornecerem informações de qualidade para que cada cidadão possa decidir o futuro do país”, afirmou.

O mito da polarização

Durante a conversa, Felipe apresentou um dado que considera um dos mais importantes levantados pelas pesquisas de opinião.

Embora a percepção comum seja de que o Brasil está dividido entre dois grandes polos ideológicos, os estudos mostram uma realidade mais complexa.

De acordo com ele, existe uma parcela significativa da população que não se identifica integralmente com nenhum dos extremos e que costuma decidir eleições.

“A polarização existe, mas muitas vezes é maior na percepção das pessoas do que na realidade. Há um grande grupo de eleitores independentes que não está preso a nenhum dos lados”, explicou.

Para o cientista político, esse cenário reforça a necessidade de retomar o diálogo e fortalecer a convivência democrática, mesmo diante das divergências.

Educação como caminho

Professor universitário, Felipe também defendeu a educação como uma das principais ferramentas para enfrentar problemas como a desinformação e a chamada “ilusão do conhecimento”.

Segundo ele, a sociedade vive um momento em que muitas pessoas acreditam saber mais do que realmente sabem, o que dificulta o debate público e a busca por soluções coletivas.

Para o pesquisador, reconhecer limites, buscar conhecimento constantemente e valorizar o aprendizado são atitudes essenciais para fortalecer a democracia.

“Aprender sempre, pesquisar sempre e inovar sempre só é possível quando valorizamos a educação”, destacou.

O papel das pesquisas

Ao comentar a importância dos levantamentos eleitorais, Felipe ressaltou que as pesquisas ajudam a sociedade a compreender o momento político e fornecem elementos para uma análise mais racional do cenário.

Ele lembrou que a Quaest ampliará sua atuação em Mato Grosso do Sul durante o período eleitoral, com levantamentos voltados à disputa estadual.

Mais do que apontar tendências, ele acredita que as pesquisas funcionam como instrumentos de transparência e informação pública.

Debate sobre comunicação

As declarações foram feitas durante entrevista concedida à reportagem da Jovem Pan 99,5 FM, do Grupo Difusora de Três Lagoas, durante o Midiacom MS, realizado no dia 27 de maio, no Teatro Glauce Rocha, em Campo Grande.

Em sua quarta edição, o encontro promovido pelo Midiacom Mato Grosso do Sul teve como tema “O papel da imprensa profissional como curadora do fato”, reunindo especialistas para discutir comunicação, credibilidade, combate à desinformação e os desafios da produção de conteúdo na era digital.

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