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Por HENRIQUE FERIAN
O feminicídio que tirou a vida de Gilvanda Paula e Silva, em março de 2024, em Três Lagoas, teve um desfecho na Justiça. Dois anos após o crime, o Tribunal do Júri condenou Pedro Henrique Amaral pelo assassinato da ex-companheira, em um julgamento que durou mais de cinco horas e reforçou a gravidade do caso.
A sentença, no entanto, não encerra a dor da família. Em entrevista, a filha da vítima, Maria Luiza, relatou o impacto irreparável da perda e fez um alerta para mulheres que vivem relacionamentos abusivos.
Segundo Maria Luiza, a mãe vivia um relacionamento conturbado, marcado por ameaças, ciúmes excessivo e controle.
“Era um relacionamento de idas e vindas, com xingamentos e vigilância constante. A gente alertava, mas ela não conseguia sair”, relembra.
Mesmo com os sinais evidentes, a vítima permaneceu no relacionamento, situação comum em casos de violência doméstica, muitas vezes marcada por dependência emocional e promessas de mudança.
O assassinato ocorreu na manhã de 24 março de 2024. Gilvanda havia saído para um velório quando foi surpreendida pelo agressor.
“Ele seguiu ela e atirou enquanto ela ainda estava dentro do carro. Não deu tempo de nada”, conta a filha.
Além de Gilvanda, uma vizinha que estava no veículo também foi atingida.
O julgamento aconteceu nesta quarta-feira (29) e teve início por volta das 14h, sendo encerrado às 19h15 — cerca de 5 horas e 15 minutos de duração.
Durante o interrogatório, o réu optou por permanecer em silêncio. Ainda assim, o conjunto de provas, depoimentos e laudos periciais apresentados foram suficientes para a condenação.
Pedro Henrique Amaral foi condenado por:
Na dosimetria da pena, a Justiça considerou agravantes como a frieza na execução do crime e o fato de o assassinato ter ocorrido durante um velório, circunstância que aumentou a gravidade da conduta.
A pena foi fixada em 33 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, em regime inicial fechado.
Além disso, o réu foi condenado ao pagamento de multas que somam cerca de R$ 15 mil, além das custas processuais. A defesa ainda pode recorrer.
Mesmo com a condenação, a família segue lidando com as consequências da perda.
“A nossa família nunca mais foi a mesma”, diz Maria Luiza.
Ela e as irmãs precisaram reconstruir a rotina, incluindo o cuidado com a irmã mais nova, que tinha apenas 2 anos na época do crime.
“Eu tive que ser forte, cuidar delas e assumir um papel que seria da minha mãe.”
A partir da própria experiência, Maria Luiza faz um apelo a outras mulheres:
“Que consigam enxergar enquanto há tempo e tenham força para sair antes que aconteça o pior.”
O caso de Gilvanda evidencia uma realidade recorrente: o feminicídio, na maioria das vezes, é o desfecho de um ciclo de violência que começa de forma silenciosa — e que impacta não apenas a vítima, mas toda a família.
Confira a entrevista: