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GALERIAS ENTUPIDAS, CASAS ALAGADAS: A OMISSÃO DA PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS DIANTE DO COLAPSO DA DRENAGEM URBANA - Difusora FM 99.5

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GALERIAS ENTUPIDAS, CASAS ALAGADAS: A OMISSÃO DA PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS DIANTE DO COLAPSO DA DRENAGEM URBANA

REPORTAGEM ESPECIAL | INFRAESTRUTURA URBANA | TRÊS LAGOAS – MS

Chuva forte foi suficiente para expor anos de descaso: moradores perderam móveis, dormiram com água dentro de casa e não recebem sequer uma visita do poder público

A madrugada de terça feira dia 24 de fevereiro ficará marcada na vida de famílias bairro Nossa Senhora Aparecida, na rua Maria Queiroz Moreira a chuva forte que cai em Três Lagoas foi o suficiente para revelar o que anos de negligência municipal construíram: um sistema de drenagem falido, galerias pluviais entupidas e sem manutenção, e uma população completamente abandonada pelo poder público, as águas invadiram casas durante a madrugada, destruíram móveis, eletrodomésticos e pertences acumulados por anos de trabalho — e, nenhum representante da Prefeitura de Três Lagoas apareceu para avaliar os danos ou oferecer qualquer tipo de assistência.

⚠ Se uma hora de chuva causa esse nível de destruição, o que aconteceria com quatro horas de temporal?

A NOITE EM QUE A ÁGUA INVADIU

Os moradores foram surpreendidos durante a madrugada. Em muitos casos, só perceberam o alagamento quando já era tarde demais. Um dos moradores relatou que acordou graças ao latido insistente do cachorro — que farejou a água antes que qualquer alarme pudesse soar.

“A gente paga imposto, o IPTU vence agora e ninguém aparece. Nem prefeito, nem vereador, nem secretário de obras. Uma hora de chuva virou esse caos. Se fossem quatro horas, a gente ia morrer afogado.”

O nível da água dentro das residências chegou a aproximadamente meio metro em alguns pontos. Além do bairro Nossa Senhora Aparecida, outras regiões da cidade também registraram elevação do nível das águas, o que indica que o problema de drenagem não é isolado — é sistêmico.

SISTEMA QUE FUNCIONAVA: O QUE ACONTECEU COM AS OBRAS ANTERIORES?

A situação atual não é fruto de falta de investimento histórico. Segundo Thomaz Kozuki morador a 20 anos do local, obras de drenagem foram realizadas em gestões anteriores, com a instalação de galerias de grande porte na região da João Dantas. O sistema funcionou por um período — mas há cerca de três anos os alagamentos voltaram com força.

A pergunta que ninguém da Prefeitura parece querer responder é simples: o que foi feito da manutenção dessas galerias? Quem é o responsável pela limpeza periódica dos bueiros e tubulações? Por que o sistema que um dia funcionou passou a falhar?

A moradora Denilde, que vive na rua há cerca de 15 anos, afirma que em chuvas anteriores a água escoava rapidamente. A mudança de comportamento das águas sugere, segundo ela, entupimento das galerias por acúmulo de pedras, lixo e detritos — um problema que deveria ser prevenido com manutenção regular e programas de limpeza urbana.

“Foi calamidade pública. Quando abriram a porta, a água tomou conta. Antes, a água escoava. Agora não vai a lugar nenhum.”

ASFALTO SIM, DRENAGEM…. O MODELO DE OBRAS QUE AFOGA A CIDADE

Moradores apontam uma contradição grave na política de obras municipais: enquanto o asfalto avança pela cidade como vitrine de gestão, a infraestrutura subterrânea — que define se a cidade vai ou não alagar — talvez não seja a ideal.

“Hoje se preocupa em entregar cidade asfaltada, mas não em fazer drenagem robusta. Faz o asfalto, mas não tem para onde a água escoar.”

Essa lógica é tecnicamente catastrófica. O asfaltamento impermeabiliza o solo, aumentando o volume de escoamento superficial durante chuvas. Sem ampliação proporcional da capacidade de drenagem — galerias maiores, bocas de lobo em quantidade suficiente e manutenção contínua — cada novo metro de asfalto se torna, paradoxalmente, um fator de risco para alagamentos.

Especialistas em urbanismo e drenagem são unânimes: obras viárias precisam ser acompanhadas de investimento em infraestrutura hídrica. O que se observa em Três Lagoas, no entanto, é o oposto: priorização da obra visível em detrimento da infraestrutura essencial.

OS PREJUÍZOS QUE A PREFEITURA NÃO CONTABILIZA

Os moradores atingidos não têm seguro, não receberam indenização e não foram visitados por nenhuma equipe de assistência social ou de obras. Os prejuízos materiais são concretos e documentados:

Na residência de uma inquilina da moradora Denilde, os seguintes itens foram destruídos pela água: guarda-roupa, sofá, cômoda e outros móveis e pertences pessoais. Segundo a proprietária, móveis modernos não resistem ao contato prolongado com a umidade — e não há como recuperá-los.

“Estragou bastante, não tem como recuperar.”

Em outra residência, conforme relatado por um morador, um vizinho perdeu praticamente todos os bens domésticos, incluindo geladeira, guarda-roupa e móveis. São perdas que podem representar anos de economia para famílias de renda média e baixa — e que a Prefeitura, até o momento, sequer reconheceu oficialmente.

“Graças a Deus nossa integridade física está bem, mas é vergonhoso ver o que aconteceu com o resto do pessoal.”

NENHUMA AUTORIDADE APARECEU

Horas depois do alagamento, o cenário era de desolação e revolta. Moradores realizavam por conta própria a limpeza dos imóveis, tentavam desobstruir tubulações com os meios que tinham disponíveis e aguardavam alguma sinalização do poder público. A espera foi em vão

Nenhum representante da Prefeitura de Três Lagoas — nem do Executivo, nem da Câmara Municipal — foi ao local. Nenhuma equipe de assistência social realizou cadastro dos atingidos. Nenhuma equipe de obras avaliou as galerias entupidas. Nenhum secretário fez uma declaração pública sobre o ocorrido.

“O que a gente faz é pouco. Estamos esperando alguma decisão.”

A ausência do poder público não é apenas simbólica — ela é funcional. Sem uma avaliação técnica das galerias, o problema não será corrigido. Sem um levantamento dos danos, as famílias não receberão qualquer reparação. E sem uma resposta imediata, a próxima chuva pode causar danos ainda maiores.

IPTU EM DIA, INFRAESTRUTURA NO CAOS: A CONTRADIÇÃO QUE REVOLTA

Um dos aspectos mais dolorosos relatados pelos moradores é a sensação de que pagam suas obrigações tributárias — o IPTU vence no início do ano — mas não recebem a contrapartida mínima que justificaria esse pagamento: infraestrutura urbana funcional.

Três Lagoas é um dos municípios com maior arrecadação per capita do Mato Grosso do Sul, impulsionada pela presença de grandes indústrias de celulose e outros setores produtivos. Essa arrecadação, no entanto, não parece se traduzir em manutenção das galerias pluviais do bairro Nossa Senhora Aparecida — nem em qualquer outro tipo de proteção para os moradores durante as chuvas.

A equação é simples e brutal: o município arrecada muito, os moradores pagam seus impostos em dia, e a água entra dentro de casa.

O ALERTA PARA AS PRÓXIMAS CHUVAS

O medo tomou conta da comunidade. Moradores relatam que se sentem completamente vulneráveis, sem qualquer proteção ou garantia de que o ocorrido não se repetirá — possivelmente com consequências ainda mais graves.

Sem desobstrução das galerias, sem ampliação do sistema de drenagem e sem qualquer intervenção emergencial por parte da Prefeitura, cada nova chuva representa uma roleta para os moradores da rua Maria Queiroz Moreira e das demais ruas afetadas do bairro.

Uma hora de chuva não deveria ser suficiente para invadir o interior de uma residência não nesse local. Quando isso acontece, há uma falha de gestão pública — não uma fatalidade.

O QUE SE EXIGE DO PODER PÚBLICO

Diante dos fatos relatados, as medidas urgentes que os moradores cobram da Prefeitura de Três Lagoas são:

  1. Vistoria imediata das galerias pluviais e bueiros no bairro Nossa Senhora Aparecida, com desobstrução emergencial dos pontos críticos identificados.
  2. Levantamento oficial dos danos sofridos pelas famílias afetadas, com cadastro para eventual auxílio emergencial.
  3. Plano de manutenção preventiva das redes de drenagem urbana, com cronograma público e responsáveis identificados.
  4. Revisão do modelo de obras viárias para garantir que qualquer asfaltamento seja acompanhado de ampliação proporcional da capacidade de escoamento pluvial.
  5. Comunicação oficial da Prefeitura sobre as providências tomadas e o prazo previsto para solução definitiva do problema.

A população do bairro Nossa Senhora Aparecida não pede milagre. Pede que as galerias sejam limpas. Pede que os bueiros não estejam entupidos. Pede que, quando chover, a água vá para a boca lobo — não para dentro da sua sala. São obrigações básicas de qualquer gestão municipal. E em Três Lagoas, elas não estão sendo cumpridas.

Confira a reportagem:

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