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Hipertensão silenciosa preocupa especialistas e já afeta milhões de brasileiros

Dr. Ulisses Calandrin destacou os riscos da pressão alta, os perigos do diagnóstico tardio e a importância da prevenção

POR HENRIQUE FERIAN

O Dia Mundial da Hipertensão, celebrado em 17 de maio, serviu de alerta durante entrevista concedida pelo renomado cardiologista Dr. Ulisses Calandrin ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan Três Lagoas. Ao longo da conversa, o médico explicou os principais riscos da hipertensão arterial, considerada uma doença silenciosa e um dos maiores fatores de risco para doenças cardiovasculares no Brasil e no mundo.

Segundo o especialista, as doenças cardiovasculares continuam sendo as que mais matam atualmente, superando inclusive câncer e outras enfermidades.

“A principal causa de morte hoje no Brasil e no mundo são as doenças cardiovasculares. E a hipertensão, sem dúvida alguma, é um dos principais fatores de risco”, destacou.

Hipertensão muitas vezes não apresenta sintomas

Durante a entrevista, Dr. Ulisses explicou que um dos maiores perigos da hipertensão é justamente o fato de ela, na maioria dos casos, não apresentar sintomas claros.

“Grande parte dos pacientes convivem anos com hipertensão sem saber. Muitas vezes a doença só é descoberta após complicações como infarto, AVC, insuficiência cardíaca ou insuficiência renal.”

O médico ressaltou que muitos pacientes chegam a necessitar de hemodiálise após anos de pressão arterial descontrolada.

Diagnóstico continua o mesmo

O cardiologista explicou que o diagnóstico da hipertensão segue sendo considerado quando a pressão arterial ultrapassa 14 por 9 em mais de uma medição e em momentos diferentes.

Ele também esclareceu dúvidas sobre o famoso “12 por 8”, que continua não sendo considerado hipertensão, mas passou a ser encarado como um ponto de atenção.

“Hoje a pressão ideal é abaixo de 12 por 8. Quando o paciente chega nesse limite, já é necessário avaliar os fatores de risco cardiovasculares.”

Segundo o médico, exames como MAPA e MRPA ajudam a identificar alterações da pressão fora do consultório.

Jovens também estão desenvolvendo hipertensão

Outro ponto abordado foi o crescimento dos casos entre pessoas mais jovens, especialmente associado ao sedentarismo, obesidade, estresse e consumo excessivo de cafeína.

O especialista fez um alerta sobre o uso frequente de energéticos.

“As altas concentrações de cafeína presentes nos energéticos favorecem o surgimento da hipertensão e também podem provocar arritmias cardíacas e até morte súbita.”

Ele explicou que o problema não está apenas no energético em si, mas no excesso de cafeína consumido diariamente ao longo do tempo.

Sal continua sendo um dos grandes vilões

Dr. Ulisses também chamou atenção para o excesso de sódio na alimentação dos brasileiros.

De acordo com ele, o consumo ideal de sal seria de aproximadamente 5 gramas por dia, mas a população brasileira chega a ingerir entre 16 e 18 gramas diariamente.

O médico alertou para o excesso de sódio escondido em:

  • temperos prontos;
  • caldos industrializados;
  • embutidos;
  • molhos;
  • alimentos ultraprocessados;
  • shoyu e condimentos.

“Muitas pessoas acham que reduziram o sal porque não usam o saleiro, mas continuam consumindo grandes quantidades de sódio nos alimentos industrializados.”

Hipertensão primária e secundária

O especialista explicou ainda a diferença entre os dois principais tipos da doença.

A hipertensão primária representa cerca de 90% dos casos e está ligada a fatores como:

  • genética;
  • obesidade;
  • sedentarismo;
  • estresse;
  • alimentação inadequada.

Já a hipertensão secundária possui causas específicas identificáveis, como:

  • doenças renais;
  • apneia do sono;
  • alterações hormonais;
  • problemas na tireoide;
  • estenose de artéria renal.

Homens jovens costumam negligenciar tratamento

Segundo Dr. Ulisses, homens em fases mais jovens da vida costumam subestimar mais os riscos da hipertensão.

“Muitos pacientes param a medicação porque não estão sentindo nada. Esse é um dos maiores erros.”

Ele também criticou a automedicação e o hábito comum de compartilhar remédios entre familiares.

“Cada paciente precisa de avaliação individual. O número da pressão pode ser apenas a ponta do iceberg.”

Mais de 1,3 bilhão de hipertensos no mundo

Durante a entrevista, foram apresentados números considerados alarmantes.

Atualmente:

  • mais de 1,3 bilhão de pessoas vivem com hipertensão no mundo;
  • 46% dos hipertensos não sabem que possuem a doença;
  • apenas 1 em cada 5 pacientes mantém a pressão controlada.

No Brasil:

  • cerca de 38 milhões de pessoas convivem com pressão alta;
  • o problema atinge aproximadamente 27% da população adulta.

O cardiologista acredita que os números ainda estejam subnotificados devido às dificuldades de diagnóstico e acompanhamento no sistema de saúde.

Sono ruim também aumenta riscos cardiovasculares

Outro ponto destacado foi a relação entre hipertensão e distúrbios do sono, especialmente a apneia.

Segundo o médico, alterações no sono aumentam significativamente os riscos cardiovasculares e podem contribuir para:

  • hipertensão;
  • arritmias;
  • AVC;
  • insuficiência cardíaca.

Pressão alta altera estrutura do coração

Dr. Ulisses explicou que a hipertensão não controlada pode modificar a estrutura cardíaca ao longo do tempo.

O processo provoca:

  • hipertrofia do coração;
  • dilatação cardíaca;
  • insuficiência cardíaca;
  • piora da capacidade funcional do paciente.

Hipertensão do avental branco e mascarada existem

O especialista também esclareceu dois fenômenos frequentemente discutidos na cardiologia:

  • hipertensão do avental branco;
  • hipertensão mascarada.

Na primeira situação, a pressão sobe apenas dentro do consultório.

Na segunda, ocorre justamente o contrário:

  • a pressão parece normal durante a consulta;
  • mas apresenta alterações fora do ambiente médico.

Segundo ele, ambos os casos aumentam riscos cardiovasculares e precisam de investigação adequada.

Mudança no estilo de vida é fundamental

Apesar da importância dos medicamentos, o médico reforçou que o principal tratamento começa na mudança de hábitos.

Entre as principais recomendações estão:

  • atividade física regular;
  • alimentação equilibrada;
  • redução do sal;
  • abandono do cigarro;
  • controle do peso;
  • redução do álcool;
  • acompanhamento médico contínuo.

“Remédio não é o grande herói. Tudo começa na mudança do estilo de vida.”

Uso de canetas emagrecedoras exige acompanhamento

Durante a entrevista, Dr. Ulisses também comentou sobre o uso das chamadas canetas emagrecedoras.

Ele destacou que medicamentos legalizados e prescritos corretamente podem ajudar pacientes com obesidade e hipertensão, mas alertou sobre produtos sem procedência.

“O menor problema é não perder peso. O maior risco são as complicações graves.”

O médico relatou inclusive casos recentes de pancreatite associados ao uso de medicações irregulares.

Cardiologista alerta para acompanhamento contínuo

Ao final da entrevista, o especialista reforçou que mesmo pacientes que emagrecem e conseguem reduzir a pressão precisam de acompanhamento contínuo.

“A obesidade é apenas um dos fatores de risco. O tratamento precisa ser individualizado.”

Dr. Ulisses Calandrin também reforçou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para evitar complicações graves ligadas à hipertensão arterial.

O cardiologista mantém perfil ativo nas redes sociais compartilhando orientações e informações sobre saúde cardiovascular https://www.instagram.com/ulissescalandrin/ .

Confira a entrevista:

 

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