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Por AUGUSTA RUFINO
Ivete Sigrist, psicanalista e especialista em desenvolvimento humano convida ouvintes a refletirem sobre perdão, maturidade emocional e a capacidade de vencer o mal com o bem
Em tempos marcados pela pressa, pela necessidade constante de aprovação e por relações cada vez mais polarizadas, uma pergunta simples pode provocar profundas reflexões: você se considera uma pessoa humilde?
Esse foi o ponto de partida do “Momento Reflexão”, quadro exibido nesta quarta-feira (10) na Jovem Pan 99,5 FM, do Grupo Difusora. A convidada foi a mentora, palestrante, psicanalista e especialista em desenvolvimento e comportamento humano, Ivete Sigrist, que propôs aos ouvintes uma análise sincera sobre o verdadeiro significado da humildade.
Segundo Ivete, a humildade vai muito além da aparência simples, do tom de voz calmo ou da capacidade de reconhecer erros em momentos tranquilos. Para ela, essa virtude é colocada à prova justamente nas situações mais difíceis da vida.
“A verdadeira humildade não é testada na calmaria. Ela aparece no fogo cruzado das relações humanas, quando somos contrariados, ofendidos ou injustiçados”, afirmou.
Durante a entrevista, Ivete destacou que muitas pessoas confundem humildade com anulação pessoal. Segundo ela, diminuir-se para agradar aos outros ou para ser aceito não é um ato de humildade, mas uma perda do próprio valor.
“Quando você se diminui para caber no mundo de alguém, você deixa de ser quem é. Humildade não é se considerar menor. É reconhecer o próprio valor sem precisar se sentir superior a ninguém”, explicou.
A especialista ressaltou que a verdadeira medida da humildade está na forma como cada pessoa reage diante das adversidades. Pedir desculpas sinceramente, admitir falhas e controlar impulsos agressivos são atitudes que demonstram maturidade emocional.
Ela compartilhou uma experiência vivida no trânsito para ilustrar como situações cotidianas podem revelar o nível de evolução emocional de cada indivíduo.
“A nossa vontade muitas vezes é devolver na mesma moeda, mas a humildade nos convida a reagir de forma diferente daquilo que recebemos”, disse.
Ao longo da reflexão, Ivete também abordou temas como perdão, compaixão e a capacidade de fazer o bem até mesmo àqueles que causaram sofrimento.
Inspirada em ensinamentos bíblicos, ela reforçou que amar apenas quem nos ama não representa desafio algum. O verdadeiro crescimento acontece quando a pessoa escolhe não ser guiada pela dor, pelo orgulho ou pelo desejo de vingança.
“Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem. A melhor resposta para a injustiça é o crescimento e a maturidade”, destacou.
Para Ivete, desenvolver a humildade é uma decisão diária que exige autocontrole, paciência e disposição para evoluir, especialmente nos momentos de estresse, conflitos familiares, pressões profissionais e dificuldades do cotidiano.
“É no caos que descobrimos quem realmente somos. Podemos escolher alimentar a discussão ou ser agentes de paz nos ambientes em que estamos”, refletiu.
Ao encerrar a entrevista, a especialista deixou uma mensagem aos ouvintes: independentemente das feridas causadas por palavras ou atitudes de outras pessoas, ninguém deve permitir que essas experiências determinem sua identidade.
“Você é muito mais do que aquilo que disseram sobre você. A humildade começa quando você sabe quem é, escolhe perdoar e segue em frente sem perder a capacidade de amar”, concluiu.
Além das atividades como mentora e palestrante, Ivete Sigristi atua no Lar do Idoso Refúgio Jeová Rafah, em Três Lagoas, instituição dedicada ao acolhimento e cuidado especializado de idosos.