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Por AUGUSTA RUFINO
Primeiro encontro estadual do Clube da Imprensa marca quatro anos de atuação com debate sobre inteligência artificial nas eleições e homenagem a um dos nomes mais tradicionais do jornalismo sul-mato-grossense
Campo Grande recebeu mais do que um evento no útimo sábado (25). Recebeu um encontro de trajetórias, histórias e inquietações que hoje atravessam o jornalismo. O primeiro Encontro Estadual do Clube da Imprensa, que também celebrou os quatro anos da entidade, reuniu profissionais de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul em torno de um tema que já não é mais tendência, mas realidade: a inteligência artificial no centro do processo democrático.
No palco, o jornalista Bosco Martins, referência da chamada velha guarda da imprensa, conduziu a palestra “Democracia na era da IA: entre algoritmos e votos, um novo campo de batalha eleitoral”. E não foi apenas uma exposição técnica. Foi um alerta.
“Estamos diante de uma eleição diferenciada, em tempos de algoritmo. A imprensa tem o papel de levar informação de qualidade para que o eleitor forme sua opinião crítica”, afirmou Bosco, ao sintetizar o desafio de um jornalismo que precisa, ao mesmo tempo, acompanhar a tecnologia e preservar sua essência.
RENASCIMENTO
Aos 66 anos, celebrados ali mesmo, entre colegas e aplausos, ele falou sobre reinvenção. Sobre renascer a cada ciclo. Sobre seguir produzindo, testando e aplicando ferramentas de inteligência artificial no dia a dia. “Eu já estou fazendo telejornalismo totalmente em IA. Esse é o futuro. Não tem como fugir”, disse, com a naturalidade de quem atravessou décadas de transformação na comunicação e segue em movimento.
A escolha do palestrante, aliás, foi unanimidade entre os presentes. A inteligência artificial deixou de ser novidade e passou a ocupar o centro do trabalho jornalístico, especialmente em ano eleitoral. A presença de Bosco Martins, com sua experiência e atuação prática no uso da IA no dia a dia — produzindo, testando e aplicando — tornou a palestra ainda mais relevante, consolidando a percepção de que foi uma escolha acertada para um público formado por profissionais de todo o estado.

Professor Marcelo Miranda, ex-diretor-presidente da Fundesporte e ex-secretário de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania
O DEBATE
O debate ganhou ainda mais peso com a contribuição de vozes que acompanham o cenário político. O professor Marcelo Miranda destacou a urgência do tema. “A inteligência artificial vai fazer diferença nas eleições. Existem questões éticas importantes, e cabe à imprensa mostrar quem são os candidatos, o que é real e o que não é. É uma ferramenta incrível, mas exige responsabilidade”, pontuou o o ex-diretor-presidente da Fundesporte e ex-secretário de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania, que é pré-candidato a deputado estadual.
CONEXÃO
Mais do que tecnologia, o encontro foi sobre conexão.
O presidente do Clube da Imprensa, Lupercio Marques, resumiu o espírito do evento ao falar sobre a construção coletiva. “Um sonho que se sonha junto vira realidade. O clube é isso: reunir, conectar, fortalecer a imprensa em todas as suas frentes”, disse, ao destacar o objetivo de ampliar ainda mais a atuação da entidade no estado.
Entre os presentes, a empresária Maria Cândida Augusto Lopes, diretora e proprietária do Grupo Difusora, participou acompanhada de sua equipe de jornalismo. Ao comentar o evento, foi direta ao reconhecer a relevância do momento e do nome escolhido para conduzi-lo:
“Reunir a imprensa de todo o estado para discutir o presente e o futuro da comunicação, com um nome como o Bosco, que carrega história, credibilidade e capacidade de se reinventar, é não só acertado — é necessário.”
A presença de profissionais de diferentes cidades reforçou essa ideia de pertencimento. Gente de Três Lagoas, Ponta Porã, Dourados, Bonito. Um estado inteiro representado em um mesmo espaço, compartilhando experiências, desafios e perspectivas.
E, como toda boa reunião de imprensa, o encontro também teve seus capítulos paralelos. Durante o evento, o ex-governador André Puccinelli promoveu uma sessão de autógrafos de sua obra Como Administrei Campo Grande: Desafios e Aprendizagem, em que reúne relatos sobre sua gestão à frente da capital, abordando decisões, projetos e os bastidores da administração pública.
CONFRATERNIZAÇÃO
O encontro também teve seu momento de pausa e celebração fora do auditório. Na Padaria e Cantina Nonna, jornalistas de diferentes regiões se reuniram em torno de uma feijoada servida com clima de casa cheia, chope gelado e conversas que atravessavam redações, coberturas e memórias. Foi ali que o evento ganhou outro tom: mais leve, mais humano. Entre brindes e reencontros, o bolo marcou o parabéns a Bosco Martins, celebrado não apenas pelo aniversário, mas por uma trajetória que segue conectando gerações da imprensa no estado.
No fim, entre algoritmos e votos, entre passado e futuro, o que se viu foi a imprensa reafirmando seu papel. E, talvez, entendendo que o maior desafio não é acompanhar a tecnologia. É não perder a essência enquanto faz isso.
Imagens: JOSIAS MARTINS/Grupo Difusora