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Campanha nacional reforça cuidados com o bem-estar emocional no início do ano, com foco em paz, equilíbrio e conscientização
Por Henrique Ferian
O psicólogo Rafael Lima esteve presente no Jornal da Manhã da Jovem Pan Três Lagoas nesta quinta-feira (08) para falar sobre a campanha Janeiro Branco, movimento criado em 2014 na cidade de Uberlândia (MG) e que se tornou lei federal em 2023. A iniciativa visa conscientizar a população sobre a importância da saúde mental, utilizando janeiro como símbolo de recomeço e renovação.
“Janeiro é um mês que a gente começa a fazer planos para quase tudo na nossa vida – seja profissional, seja iniciar uma dieta, começar uma atividade física, planejar uma viagem. Então, por que a saúde mental também não entra como uma nova história?”, questionou o psicólogo, que é pós-graduando em psicologia humanista com abordagem centrada na pessoa.
Rafael explicou que cada pessoa é única, mas existem sinais comuns que indicam quando a saúde mental não está bem. “Perdi o prazer em fazer coisas que eu costumo fazer, estou com dificuldade de dormir, me sinto cansado emocionalmente mesmo depois de descansar – são alguns indícios de que a gente precisa de ajuda”, alertou.
Dados do governo mostram que cerca de 20% a 30% da população brasileira apresenta algum tipo de transtorno de ansiedade ou depressão, números que continuam crescendo a cada ano. Em 2024, foi registrado recorde de afastamentos de trabalhadores por questões de saúde mental.
Um dos pontos mais destacados na entrevista foi o impacto das redes sociais na saúde mental. O psicólogo ressaltou que, apesar dos benefícios informativos e de conexão, as plataformas podem ser prejudiciais quando mal utilizadas.
“O algoritmo das redes sociais bombardeia a pessoa com mais informações sobre determinado tema, criando uma bolha. Se você começa a pesquisar sobre guerras ou instabilidades, aquilo vai aparecer mais para você, dando a impressão de que está acontecendo em todo lugar”, explicou Rafael.
Outro problema grave é a comparação com a vida de outras pessoas. “Quando a gente começa a se comparar, acha que está atrasado ou seguindo um caminho errado. Isso pode ser gatilho para ansiedade, depressão e desmotivação”, completou.
O psicólogo chamou atenção especial para pessoas entre 50 e 70 anos, que frequentemente são vítimas de golpes virtuais e relacionamentos fraudulentos nas redes sociais. “São pessoas que, muitas vezes, vivenciam solidão após os filhos constituírem suas próprias famílias. Elas precisam de companhia e atenção, o que as torna alvos fáceis”, alertou.
Rafael destacou a importância da família estar presente e fiscalizar o uso das redes sociais, assim como fazem com crianças e adolescentes. “É fundamental restringir os perfis, deixar configurações apenas para amigos e evitar aceitar solicitações de pessoas desconhecidas”, orientou.
A entrevista também abordou os perigos da inteligência artificial, especialmente ferramentas que permitem manipulação de imagens. Rafael mencionou o caso recente do Grok, ferramenta do X (antigo Twitter), que permite alterar roupas em fotos. “Pessoas mal-intencionadas podem usar essas tecnologias para criar constrangimentos e prejudicar a imagem de outras pessoas”, advertiu.
Ao falar sobre tratamento, o psicólogo enfatizou que buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza. “Ainda existe preconceito de que procurar um profissional de saúde mental significa que você está louco. A terapia é um espaço de escuta e acolhimento, onde a pessoa pode falar dos seus problemas sem julgamentos”, esclareceu.
Rafael alertou que as pessoas geralmente só procuram ajuda quando a situação já está crítica. “São pequenas coisas do dia a dia que a gente não dá importância e que em algum momento vão se acumular. Não espere grandes problemas acontecerem. Não subestime o próprio sofrimento”, aconselhou.
O psicólogo deixou orientações práticas para quem deseja cuidar melhor da saúde mental em 2026:
“Saúde mental vai muito além de fazer terapia. As pequenas coisas do nosso dia a dia também nos ajudam a ter uma vida mais equilibrada. Não precisa fazer muita coisa – pequenas ações já ajudam bastante”, finalizou Rafael Lima.
O psicólogo pode ser encontrado no Instagram pelo perfil @psi.rafaellima.
Confira a Entrevista: