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Por AUGUSTA RUFINO
Durante cerimônia presidente e ex-ministra apontaram reflexos positivos para o agronegócio e o custo dos alimentos
A dependência brasileira de fertilizantes importados esteve entre os temas centrais dos discursos durante a cerimônia realizada nesta quinta-feira (25), em Três Lagoas, que marcou a assinatura dos contratos para retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3). O presidente Luiz Inácio Lula (PT) da Silva e a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, defenderam o fortalecimento da produção nacional e afirmaram que a retomada da unidade poderá reduzir a vulnerabilidade do país diante do mercado internacional.
O evento reuniu autoridades federais, estaduais e municipais, representantes da Petrobras, trabalhadores e integrantes da sociedade civil. Antes do início da solenidade, o presidente realizou uma visita ao canteiro de obras acompanhado da comitiva presidencial.
Durante o discurso, Lula afirmou que não encontrou justificativas para a paralisação de uma obra considerada estratégica para o país, especialmente por já apresentar grande parte da estrutura concluída.
“Não tem explicação uma obra desse tamanho, com mais de 80% pronta, ficar parada por tantos anos”, afirmou.
O presidente disse que a interrupção da construção contribuiu para ampliar a dependência brasileira dos fertilizantes importados e elevou custos para o país.
“O Brasil pagou um preço absurdo por fertilizantes que poderiam ser produzidos aqui”, declarou.
Lula também fez críticas ao modelo baseado na importação de insumos e afirmou que parte do setor produtivo não demonstrava preocupação em desenvolver a produção nacional.
“Tem muita gente que nunca se preocupou em ter fábricas aqui porque era mais barato importar”, afirmou.
Ainda durante a cerimônia, o presidente destacou que o desenvolvimento econômico precisa gerar impactos diretos nos municípios.
“O desenvolvimento de um país não acontece de cima para baixo. Ele começa exatamente onde a vida das pessoas acontece, nas cidades”, disse.
Durante sua participação, Simone Tebet destacou a forte dependência brasileira da importação de fertilizantes, lembrando que grande parte dos produtos utilizados pelo país vem do mercado internacional.
A ex-ministra citou conflitos internacionais e a necessidade de ampliar a capacidade produtiva brasileira para reduzir vulnerabilidades econômicas.
Segundo Simone, atualmente o Brasil depende de aproximadamente 80% dos fertilizantes importados, incluindo produtos provenientes de regiões afetadas por conflitos como Rússia e Ucrânia.
Ela afirmou que a retomada da UFN-3 poderá representar impactos importantes para o agronegócio nacional e para a cadeia de abastecimento.
“Quem ganha é o homem do campo, que poderá produzir mais, oferecer alimento de qualidade e permitir que a comida chegue mais barata à mesa dos brasileiros”, destacou.
Simone também relembrou um momento histórico envolvendo o ex-senador Ramez Tebet, seu pai, ao afirmar que foi ele quem entregou a caneta utilizada por Lula para assinar o termo de posse de seu primeiro mandato presidencial.
Durante sua fala, a ex-ministra também afirmou que Lula foi o presidente que mais realizou investimentos em Três Lagoas ao longo dos anos.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou a abertura de aproximadamente 1.400 vagas em cursos técnicos em e de qualificação profissional em parceria com Sesi e Sanai, além do Projeto Gerando o Futuro, voltados à preparação de trabalhadores para atuação na unidade.
Segundo ela, a intenção é ampliar oportunidades para a população local.
“Não viemos apenas construir uma fábrica, mas impactar positivamente a vida das pessoas”, afirmou.
Os cursos serão desenvolvidos em parceria com Senai, Sesi e institutos federais.
Magda também afirmou que a retomada da unidade busca fortalecer o agronegócio, ampliar a segurança energética e contribuir para a segurança alimentar do país.
Durante a abertura da cerimônia foram registradas diferentes manifestações entre os participantes presentes no evento. Em alguns momentos houve aplausos e também reações do público durante pronunciamentos de autoridades, sem interferir no andamento da programação oficial.
Com investimentos superiores a R$ 5 bilhões, a UFN-3 deverá gerar cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de construção. A previsão é que a unidade entre em operação em 2029.
Considerada uma das maiores obras industriais da história de Mato Grosso do Sul, a fábrica deverá se tornar a maior unidade de fertilizantes nitrogenados da América Latina e terá papel estratégico para ampliar a produção nacional e reduzir a dependência externa do setor.