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Por Henrique Ferian
A luta de braço, modalidade que une força, técnica e equilíbrio emocional, vive um momento de franca expansão em Três Lagoas e em todo o Mato Grosso do Sul. Esse cenário foi detalhado pelo presidente do CTMS (Centro de Treinamento de Luta de Braço de Mato Grosso do Sul), Eduardo Ferreira, em entrevista ao vivo concedida ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan Três Lagoas.
Com quase duas décadas de envolvimento direto com o esporte, Eduardo apresentou um panorama consistente dos avanços recentes, dos desafios enfrentados e das ambições para a temporada de 2026, que já começa com calendário definido pela federação e pela confederação da modalidade.
Segundo Eduardo, 2025 foi um ano especialmente positivo para a luta de braço, marcado por conquistas, ampliação do número de praticantes e fortalecimento do circuito competitivo. Diferente do que muitos imaginam, a modalidade segue um sistema rigoroso de classificação: não há participação aleatória em campeonatos. Para competir em nível estadual, nacional ou internacional, o atleta precisa conquistar sua vaga em seletivas oficiais.
Esse modelo, segundo ele, contribui diretamente para o crescimento técnico da modalidade. “A luta de braço vem crescendo a cada evento. Não só em Três Lagoas, mas em todo o estado. Cada competição traz novos atletas, mais visibilidade e mais qualidade técnica”, destacou.
Criado justamente para estruturar esse crescimento, o CTMS funciona como um verdadeiro celeiro de talentos. O centro oferece treinamentos regulares, separados por níveis, idades e gêneros, atendendo jovens e adultos, homens e mulheres. A proposta vai além do simples fortalecimento físico.
“A luta de braço não é só força. Existe técnica, posicionamento, preparo muscular específico e, principalmente, tempo de adaptação”, explicou Eduardo. Por isso, o CTMS promove apenas duas competições internas por ano, uma em cada semestre, respeitando o processo de desenvolvimento do atleta e reduzindo riscos de lesões.
A preparação envolve fortalecimento de punho, dedos, cotovelo, ombro e costas, além de treinos de tração, resistência e controle corporal. Estética física, segundo o dirigente, não é determinante: o desempenho está diretamente ligado à técnica e ao condicionamento específico.
Durante a entrevista, Eduardo também abordou um tema sensível: o risco de lesões. Embora a luta de braço envolva esforço extremo, ele garante que acidentes graves são raros. Em 18 anos de atuação, ele presenciou apenas quatro fraturas em competições.
Isso se deve, principalmente, à atuação rigorosa da arbitragem. Cada disputa conta com dois árbitros atentos à chamada “posição de risco”. Caso o atleta entre em um movimento que possa comprometer sua integridade física, a luta é imediatamente interrompida, independentemente de quem esteja em vantagem.
“O objetivo é proteger o atleta e a modalidade. Não se discute posição de risco. Entrou, parou”, reforçou.
Outro ponto destacado foi o papel do equilíbrio emocional. Em lutas que duram segundos ou, no máximo, um minuto, a calma pode ser decisiva. Nem sempre o atleta mais forte vence: resistência, estratégia e controle psicológico muitas vezes definem o resultado.
Eduardo relatou experiências pessoais em que perdeu lutas em segundos para adversários mais rápidos, especialmente em categorias mais leves, onde a explosão e a agilidade fazem a diferença.
Desde 2018, o CTMS mantém um projeto em parceria com a Escola Afonso Pena, que funciona como porta de entrada para novos praticantes. Os alunos que demonstram interesse e aptidão são convidados a treinar no centro e, posteriormente, preparados para competições estaduais e nacionais.
Essa base explica os resultados expressivos do estado no cenário nacional. Atualmente, Eduardo também ocupa o cargo de diretor da Confederação Brasileira de Luta de Braço para a região Centro-Oeste. Mato Grosso do Sul acumula oito vice-campeonatos brasileiros consecutivos, consolidando-se como uma das principais forças da modalidade no país.
O calendário de 2026 já prevê compromissos importantes. No dia 28 de fevereiro, atletas do CTMS devem participar de uma competição nacional para estreantes, em Porto Feliz (SP). Em abril, acontece o Campeonato Brasileiro dentro do Arnold Sports Festival South America, no Expo Center Norte, em São Paulo, entre os dias 24 e 26.
Além disso, Três Lagoas conquistou um feito expressivo: 14 atletas foram convocados para o Campeonato Sul-Americano, na Argentina, após seletiva realizada em dezembro, em Piracicaba (SP). O principal obstáculo agora é financeiro.
“A maioria dos atletas é de baixa renda. Conseguem a vaga, mas muitas vezes não conseguem avançar por falta de apoio”, lamentou Eduardo, reforçando a dependência de patrocínios e do poder público para viabilizar essas participações.
Considerado o maior evento multiesportivo da América do Sul nas áreas de nutrição, bem-estar e fitness, o Arnold reúne mais de 10 mil atletas e dezenas de modalidades, como fisiculturismo, strongman, levantamento de peso, boxe, kickboxing e, claro, luta de braço.
Segundo Eduardo, o evento é uma experiência única, tanto para atletas quanto para o público, e funciona como uma grande vitrine internacional para o esporte.
Para quem deseja conhecer a modalidade, o CTMS mantém treinos abertos de segunda a sexta-feira, das 19h às 20h, na Rua Rosário Congro, região central de Três Lagoas. O espaço conta com galeria de fotos, registros históricos e estrutura preparada para receber iniciantes e atletas experientes.
Ao final da entrevista, Eduardo anunciou que não pretende mais competir. A partir de agora, seu foco é a organização, a formação de novos atletas e a consolidação da nova geração da luta de braço no estado.
“A gente não ganha dinheiro com isso, pelo contrário, só gasta. Mas a satisfação de ver o atleta evoluir e representar a cidade e o estado não tem preço”, concluiu.
A luta de braço segue firme em Três Lagoas: com planejamento, resultados expressivos e o desafio constante de transformar talento em oportunidade.
Confira a Entrevista: