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A vergonha dos tres-lagoense ao buscar seus amigos e parentes passou com seu desembarque e embarque, as festas de final de ano terminarão mas agora vem o Carnaval e a rodoviária segue em reforma.
Por Henrique Ferian
A reforma da Rodoviária de Três Lagoas virou um retrato conhecido do poder público: promessa feita, prazo perdido e a conta jogada no colo da população. A obra, iniciada em 2024, já ultrapassou um ano de atraso e segue longe de uma conclusão, enquanto passageiros convivem com improviso, desconforto e, agora, medo.
O problema deixou de ser apenas estrutural e ganhou contornos ainda mais graves. Outro dia um homem, que havia acabado de chegar à cidade, foi coagido, ameaçado de morte e mantido sob intimidação após desembarcar no terminal e ser abordado.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima, natural de Maringá (PR), chegou a Três Lagoas pela noite. Ainda nas proximidades da rodoviária, foi abordada por três indivíduos. Sob ameaça constante, o homem foi obrigado a permanecer com os suspeitos durante a noite e, ao amanhecer, levado até uma agência da Caixa Econômica Federal, na Avenida Antônio Trajano, onde foi forçado a sacar dinheiro o caso terminou bem com os suspeitos presos graças a PM de Três Lagoas.
O episódio expõe o óbvio: uma rodoviária em obras intermináveis, com áreas isoladas, iluminação deficiente e circulação desorganizada, vira terreno fértil para a criminalidade. Quem chega à cidade encontra um terminal que não protege, não orienta e não oferece o mínimo de segurança.
A reforma do Terminal Rodoviário Afonso Rodrigues Sandovete tinha prazo para terminar. Não terminou. Depois, veio a promessa de avanço, novos aditivos e, agora, a entrega empurrada para 2026. Enquanto isso, a rodoviária segue funcionando no “meia-boca”, com tapumes, poeira e estrutura precária.
O atraso não é detalhe técnico. É decisão mal executada que impacta diretamente quem depende do transporte rodoviário para trabalhar, estudar, visitar familiares ou buscar atendimento de saúde. Em períodos de maior movimento, como feriados e fim de ano, o problema só aumentou.
O caso do passageiro coagido após desembarcar na rodoviária não foi o primeiro e não será o último e não pode ser ignorado. Quando uma obra pública se arrasta sem fim, o prejuízo não é só financeiro. Ele atinge a dignidade, a segurança e a vida das pessoas.
O terminal foi construído em um tempo em que a cidade tinha outra dinâmica, outro fluxo de pessoas e outra realidade econômica nos longínquos anos 70 precisamente 1978. Hoje, Três Lagoas projeta uma arrecadação em torno de R$ 1,5 bilhão, impulsionada pela indústria, logística e crescimento urbano. Mesmo assim, segue presa a um terminal rodoviário que já não comporta esse novo momento.
A pergunta que fica é simples e incômoda: por que insistir em reformar uma estrutura antiga, em vez de planejar e construir uma nova rodoviária, moderna, segura e em local adequado? Cidades que crescem pensam para frente. Aqui, a solução foi remendar o passado.
Em Três Lagoas, o ano virou. A rodoviária, não. E enquanto a obra não termina, o risco continua chegando junto com os ônibus. E o silêncio da administração muncipal preocupa.