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Especialista aborda os tipos mais comuns de câncer, fatores de risco e a importância dos exames de rotina
Por Henrique Ferian
O médico oncologista e cirurgião oncológico Dr. Rodrigo Augusto Melão Martinho participou do Jornal da Manhã da Jovem Pan Três Lagoas nesta quarta-feira (12) para falar sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer. Cirurgião Oncológico, especialista em Cirurgia Geral pelo Hospital Regional de Campo Grande – MS e em Cirurgia Oncológica pelo Hospital de Câncer de Barretos. Possui pós-graduação em vídeo cirurgia avançada pelo Instituto Jaques Perissat e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO, Dr. Rodrigo trouxe informações essenciais sobre a doença.
Segundo o oncologista, o câncer de pele não melanoma é, disparadamente, o tipo mais comum em todo o território brasileiro. “Nos últimos 10 anos, houve um aumento expressivo no número de diagnósticos. Há uma década, tínhamos cerca de 4 mil casos novos por ano. Esse número está chegando a quase 100 mil casos novos atualmente”, revelou.
O especialista explicou que o sol é o principal fator de risco, especialmente em regiões quentes como Três Lagoas. “A exposição solar crônica é o fator preponderante. Costumo brincar com os pacientes: ‘esse aqui é o sol cobrando o preço da juventude'”, comentou Dr. Rodrigo, destacando que muitas pessoas da região trabalharam em fazendas e roças sem qualquer proteção solar.
O oncologista enfatizou que o uso de protetor solar deve ser diário, não apenas em períodos de férias ou lazer. “O protetor solar precisa ter no mínimo FPS 30 e deve ser aplicado a cada duas ou três horas, pois perde eficácia. Tem que ser uma rotina igual escovar os dentes”, orientou.
As áreas mais afetadas são aquelas expostas ao sol: cabeça, pescoço, rosto, couro cabeludo, braços e colo. “É muito comum termos lesões no couro cabeludo, inclusive em pessoas que não são calvas. Muitas vezes o diagnóstico acontece quando o barbeiro vê a lesão ao cortar o cabelo”, explicou.
Dr. Rodrigo apresentou a regra do ABC para identificação de possíveis lesões cancerígenas:
O melanoma, tipo mais agressivo de câncer de pele, merece atenção especial. “Normalmente são manchas pretas com vários tons de negro e marrom, que podem aparecer em áreas não expostas ao sol. Ainda não sabemos ao certo a origem do melanoma, mas a queimadura solar aguda e fatores genéticos são considerados fatores de risco”, alertou.
Quando diagnosticado precocemente, o câncer de pele tem taxa de cura que pode chegar a 99%, dependendo da técnica cirúrgica. No entanto, o especialista alertou para os riscos de negligenciar os sintomas. “Já tivemos casos de ter que remover nariz, olho, orelha ou parte da boca por câncer de pele que foi deixado sem tratamento”, afirmou.
O câncer de intestino (colorretal) é atualmente o segundo mais incidente em homens e mulheres no Brasil, ultrapassando o câncer de colo de útero nas mulheres e o de pulmão nos homens. “O diagnóstico está acontecendo cada vez mais em pacientes jovens”, observou Dr. Rodrigo.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e a Sociedade Brasileira de Coloproctologia recomendam que todo homem e toda mulher façam colonoscopia a partir dos 45 anos, mesmo sem sintomas ou histórico familiar.
“O câncer começa de pequenas lesões no intestino chamadas pólipos, como verruguinhas, que ao longo dos anos crescem até se transformar em câncer. Nesse estágio inicial, o paciente normalmente não tem sintomas. Por isso a importância da colonoscopia”, explicou o médico.
Os principais fatores de risco para o câncer colorretal incluem:
Dr. Rodrigo destacou que a Organização Mundial da Saúde classificou recentemente o presunto como alimento cancerígeno. “É um alimento super comum, que muita gente consome regularmente, mas que foi classificado como prejudicial à saúde”, alertou.
Quando o câncer colorretal já está em estágio mais avançado, os sintomas podem incluir:
“Quanto mais avançado o câncer, menor a chance de cura. A cirurgia ainda é o pilar principal do tratamento, e não existe cura sem ela”, enfatizou o oncologista.
Entre os tipos de câncer mais agressivos, Dr. Rodrigo destacou o câncer de pâncreas. “É extremamente agressivo. Normalmente é diagnosticado quando o paciente já tem sintomas, ou seja, em estágio avançado. Mesmo fazendo todo o tratamento corretamente, apenas 25 a 40% dos pacientes sobrevivem cinco anos”, revelou.
O especialista explicou que não existe exame de rastreamento recomendado para esse tipo de câncer, tornando a prevenção através de hábitos saudáveis ainda mais importante.
O médico também alertou para o crescimento do uso de cigarros eletrônicos (vapes), especialmente entre os jovens. “Faz mal tanto quanto o cigarro tradicional. Age de forma diferente, mas é igualmente prejudicial”, afirmou.
Para quem pratica atividades náuticas nos rios da região, que cresceram significativamente nos últimos anos, Dr. Rodrigo recomenda uso de roupas com proteção UV e aplicação constante de protetor solar. “O uso do protetor não deve se limitar a esses episódios. Deve ser diário, independentemente de estar nublado ou se você não vai sair de casa”, orientou.
O oncologista enfatizou que os excessos são o grande problema. “Não tem problema comer carboidrato ou açúcar nas quantidades recomendadas. O problema é o excesso, que leva ao ganho de peso, sedentarismo e vira uma bola de neve”, explicou.
Para pacientes diagnosticados com câncer, o ideal é eliminar álcool, cigarro e alimentos ultraprocessados, além de passar por avaliação nutricional. “Não é fácil seguir as orientações, mas a primeira coisa é querer. Estamos aqui para ajudar no que for preciso”, incentivou.
Dr. Rodrigo apontou diversos fatores que explicam o aumento no diagnóstico de câncer:
Ao encerrar a entrevista, o Dr. Rodrigo Melão deixou um recado importante para a população: “O corpo fala com você. Se tiver qualquer alteração, qualquer sintoma, por mais que ache que seja bobeira, procure orientação médica. Mantenha hábitos de vida saudável, pratique atividade física, cuide da alimentação. A informação está disponível para todos, é só buscar e se cuidar”.
O médico atende no Instituto do Câncer Brasil em Três Lagoas e mantém perfil no Instagram (@dr.rodrigo.melao) com informações sobre prevenção e tratamento oncológico.
Confira a Entrevista: