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Quarta-feira de Cinzas abre a Quaresma e convida fiéis à conversão e ao compromisso social, diz padre Maurício - Difusora FM 99.5

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Quarta-feira de Cinzas abre a Quaresma e convida fiéis à conversão e ao compromisso social, diz padre Maurício

Entrevista à Jovem Pan Três Lagoas explica o significado espiritual do período e destaca a Campanha da Fraternidade 2026, que aborda o direito à moradia digna

Por Henrique Ferian

A Igreja Católica iniciou oficialmente a Quaresma nesta Quarta-feira de Cinzas, período de 40 dias de preparação para a Páscoa — a principal celebração da fé cristã, que recorda a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Em entrevista à Jovem Pan Três Lagoas, o padre Maurício, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, explicou o significado espiritual do tempo litúrgico e a dimensão social que marca a Campanha da Fraternidade 2026.

Segundo o sacerdote, a Quaresma é um convite à transformação interior e à preparação do coração para viver o mistério central da fé cristã, celebrado no Tríduo Pascal. Neste ano, a Páscoa será comemorada no dia 5 de abril.

“É o momento de entrar em um ritmo de reflexão e preparar o coração para viver bem a Páscoa do Senhor”, afirmou.

O significado das cinzas

Um dos ritos mais simbólicos do início da Quaresma é a imposição das cinzas na testa dos fiéis. O gesto expressa a fragilidade humana e o chamado à conversão.

Durante a celebração, o sacerdote pode proclamar duas fórmulas tradicionais: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou “Tu és pó e ao pó voltarás”.

De acordo com o padre Maurício, o sinal tem origem nas antigas práticas penitenciais da Igreja e representa humildade, reconhecimento dos erros e abertura à mudança de vida.

“É recordar que somos limitados e que precisamos do amor de Deus para transformar nossa realidade”, explicou.

Por que a Quaresma dura 40 dias

O número 40 possui forte simbolismo bíblico e está associado a tempos de preparação espiritual, como os 40 anos do povo de Israel no deserto e os 40 dias de jejum de Jesus.

Durante esse período, a Igreja propõe três práticas fundamentais:

  • oração
  • jejum

Esses elementos ajudam o fiel a fortalecer a vida espiritual, reconhecer seus limites e exercitar a solidariedade.

A liturgia também reflete o caráter penitencial do período: não se canta o “Aleluia”, a cor roxa predomina nas celebrações e o clima é de introspecção e reflexão.

Jejum não é punição, mas equilíbrio

O jejum é obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, mas pode ser praticado ao longo de toda a Quaresma.

Segundo o sacerdote, a prática deve ser vivida com equilíbrio e consciência.

“O jejum é aprender a reconhecer as próprias necessidades e desenvolver domínio de si. Não é exagero nem punição do corpo”, explicou.

Ele alertou que a penitência não deve prejudicar a saúde nem ser vivida como forma de “negociar” com Deus.

“O maior erro é pensar que oração ou sacrifício servem para obrigar Deus a fazer o que queremos. A Quaresma é mudança interior, não barganha espiritual.”

Campanha da Fraternidade 2026: foco na moradia

Além da dimensão espiritual, a Quaresma também mobiliza a Igreja no Brasil para uma reflexão social por meio da Campanha da Fraternidade, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Neste ano, o tema é “Fraternidade e Moradia”, com o lema “Ele veio morar entre nós”.

A proposta é refletir sobre o direito à moradia digna e sobre a realidade de pessoas que vivem em condições precárias ou em situação de rua.

Segundo o padre Maurício, a campanha busca despertar consciência social e incentivar ações concretas.

“A fé não se limita à celebração religiosa. Ela precisa gerar compromisso com a dignidade humana”, afirmou.

Durante a Quaresma, comunidades realizam reflexões, projetos sociais e a coleta nacional que financia iniciativas ligadas ao tema em todo o país.

Reflexão também envolve políticas públicas

O sacerdote destacou que a discussão sobre moradia envolve toda a sociedade, incluindo o poder público.

A campanha pretende estimular o debate sobre políticas habitacionais e sobre o atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade, realidade presente também em Três Lagoas.

Segundo ele, garantir condições dignas de vida é responsabilidade coletiva.

Vivência prática da fé

Para o padre Maurício, a espiritualidade quaresmal deve se traduzir em atitudes concretas de solidariedade.

“O cristão se incomoda com a injustiça e procura agir com amor para transformar a realidade”, disse.

Ele citou ações sociais realizadas na cidade, voltadas especialmente ao apoio de famílias em áreas carentes e crianças em situação de vulnerabilidade.

Mensagem final aos fiéis

Ao encerrar a entrevista, o sacerdote convidou os fiéis a viver a Quaresma com profundidade espiritual e coragem diante das dificuldades da vida.

“Jesus assumiu o sofrimento humano e venceu pelo amor. Quem abraça a própria realidade com fé já participa dessa vitória”, afirmou.

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