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Entrevista à Jovem Pan Três Lagoas explica o significado espiritual do período e destaca a Campanha da Fraternidade 2026, que aborda o direito à moradia digna
Por Henrique Ferian
A Igreja Católica iniciou oficialmente a Quaresma nesta Quarta-feira de Cinzas, período de 40 dias de preparação para a Páscoa — a principal celebração da fé cristã, que recorda a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Em entrevista à Jovem Pan Três Lagoas, o padre Maurício, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, explicou o significado espiritual do tempo litúrgico e a dimensão social que marca a Campanha da Fraternidade 2026.
Segundo o sacerdote, a Quaresma é um convite à transformação interior e à preparação do coração para viver o mistério central da fé cristã, celebrado no Tríduo Pascal. Neste ano, a Páscoa será comemorada no dia 5 de abril.
“É o momento de entrar em um ritmo de reflexão e preparar o coração para viver bem a Páscoa do Senhor”, afirmou.
Um dos ritos mais simbólicos do início da Quaresma é a imposição das cinzas na testa dos fiéis. O gesto expressa a fragilidade humana e o chamado à conversão.
Durante a celebração, o sacerdote pode proclamar duas fórmulas tradicionais: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou “Tu és pó e ao pó voltarás”.
De acordo com o padre Maurício, o sinal tem origem nas antigas práticas penitenciais da Igreja e representa humildade, reconhecimento dos erros e abertura à mudança de vida.
“É recordar que somos limitados e que precisamos do amor de Deus para transformar nossa realidade”, explicou.
O número 40 possui forte simbolismo bíblico e está associado a tempos de preparação espiritual, como os 40 anos do povo de Israel no deserto e os 40 dias de jejum de Jesus.
Durante esse período, a Igreja propõe três práticas fundamentais:
Esses elementos ajudam o fiel a fortalecer a vida espiritual, reconhecer seus limites e exercitar a solidariedade.
A liturgia também reflete o caráter penitencial do período: não se canta o “Aleluia”, a cor roxa predomina nas celebrações e o clima é de introspecção e reflexão.
O jejum é obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, mas pode ser praticado ao longo de toda a Quaresma.
Segundo o sacerdote, a prática deve ser vivida com equilíbrio e consciência.
“O jejum é aprender a reconhecer as próprias necessidades e desenvolver domínio de si. Não é exagero nem punição do corpo”, explicou.
Ele alertou que a penitência não deve prejudicar a saúde nem ser vivida como forma de “negociar” com Deus.
“O maior erro é pensar que oração ou sacrifício servem para obrigar Deus a fazer o que queremos. A Quaresma é mudança interior, não barganha espiritual.”
Além da dimensão espiritual, a Quaresma também mobiliza a Igreja no Brasil para uma reflexão social por meio da Campanha da Fraternidade, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Neste ano, o tema é “Fraternidade e Moradia”, com o lema “Ele veio morar entre nós”.
A proposta é refletir sobre o direito à moradia digna e sobre a realidade de pessoas que vivem em condições precárias ou em situação de rua.
Segundo o padre Maurício, a campanha busca despertar consciência social e incentivar ações concretas.
“A fé não se limita à celebração religiosa. Ela precisa gerar compromisso com a dignidade humana”, afirmou.
Durante a Quaresma, comunidades realizam reflexões, projetos sociais e a coleta nacional que financia iniciativas ligadas ao tema em todo o país.
O sacerdote destacou que a discussão sobre moradia envolve toda a sociedade, incluindo o poder público.
A campanha pretende estimular o debate sobre políticas habitacionais e sobre o atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade, realidade presente também em Três Lagoas.
Segundo ele, garantir condições dignas de vida é responsabilidade coletiva.
Para o padre Maurício, a espiritualidade quaresmal deve se traduzir em atitudes concretas de solidariedade.
“O cristão se incomoda com a injustiça e procura agir com amor para transformar a realidade”, disse.
Ele citou ações sociais realizadas na cidade, voltadas especialmente ao apoio de famílias em áreas carentes e crianças em situação de vulnerabilidade.
Ao encerrar a entrevista, o sacerdote convidou os fiéis a viver a Quaresma com profundidade espiritual e coragem diante das dificuldades da vida.
“Jesus assumiu o sofrimento humano e venceu pelo amor. Quem abraça a própria realidade com fé já participa dessa vitória”, afirmou.