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Resolver ou compensar? Presidente da Câmara sugere seguro para áreas em situação de risco

Por Henrique Ferian

A recente fala do presidente da Câmara de Três Lagoas no final da última sessão ordinária da Câmara Municipal, vereador Antonio Luiz Teixeira Empke Junior o Tonhão presidente da casa, trouxe dois elementos que merecem atenção — e reflexão crítica — da população. De um lado, o destaque para os elevados investimentos públicos em drenagem e pavimentação realizados no ano passado e mantidos para 2026 com promessa de 100% de asfalto até junho de 2027. De outro, a sugestão de que a prefeitura avalie a criação de algum tipo de seguro se houver legalidade para imóveis localizados em áreas com histórico de alagamentos se houver viabilidade técnica para isso.

As duas coisas, colocadas lado a lado, revelam uma contradição que não pode passar despercebida.

Se o município investe valores expressivos em infraestrutura urbana — com obras de micro e macrodrenagem, ampliação da pavimentação e promessas de solução progressiva para os pontos críticos — por que surge, ao mesmo tempo, a ideia de proteger financeiramente moradores que continuam sofrendo prejuízos recorrentes com enchentes?

Em termos práticos, discutir seguro para residências em áreas alagáveis significa admitir que o problema estrutural não será resolvido plenamente — ou, ao menos, não em tempo razoável para evitar novos danos. É uma medida que não enfrenta a causa, mas tenta administrar as consequências.

Mais do que isso: transfere parte do debate da esfera da engenharia urbana para a lógica da compensação financeira.

O peso dos investimentos — e o resultado real

Segundo a própria fala do presidente da Câmara, o município aplica um volume significativo do orçamento em infraestrutura, em proporção semelhante aos gastos com áreas essenciais como educação e saúde. Trata-se, portanto, de um esforço financeiro de grande escala, sustentado ao longo dos anos e reiterado para 2026.

A pergunta inevitável é: por que, mesmo com esse nível de investimento, bairros continuam registrando alagamentos recorrentes, perdas materiais e situações de emergência a cada chuva mais intensa? Não se poder colocar a culpa na população segundo o prefeito em vídeo recente fez alegando que as pessoas jogam lixo nas ruas e entopem as bocas de lobo e galerias.

Se os recursos são elevados, o resultado esperado deveria ser proporcional: redução consistente dos pontos de inundação, previsibilidade técnica do sistema de drenagem e segurança urbana mínima para a população.

Quando isso não acontece, surgem duas possibilidades incômodas — falha na execução das obras ou subdimensionamento estrutural do problema.

O seguro como solução — ou como confissão?

O trecho mais emblemático da fala do vereador Tonhão foi justamente a sugestão de que o município avalie a viabilidade de um seguro para casas situadas em regiões críticas.

A proposta levanta questões complexas:

  • Qual seguradora assumiria riscos em áreas com histórico comprovado de alagamentos frequentes?
  • O poder público subsidiaria esse seguro? Em que termos e com quais critérios?
  • O município estaria assumindo, implicitamente, que certas regiões continuarão vulneráveis de forma permanente?

Na prática, a discussão sobre seguro urbano em zonas de risco costuma aparecer em cenários onde o poder público não consegue eliminar o problema físico — apenas mitigá-lo ou compensá-lo.

É uma lógica comum em áreas sujeitas a desastres naturais inevitáveis. Mas alagamentos urbanos recorrentes, em geral, são tratados como falhas de planejamento, drenagem insuficiente ou expansão urbana mal gerida — problemas que, em tese, são solucionáveis com engenharia adequada e gestão eficiente.

Por isso, a proposta soa menos como política preventiva e mais como reconhecimento tácito de que a cidade ainda não conseguiu controlar seus próprios pontos críticos.

Da obra pública à indenização indireta

Existe também uma implicação política relevante: quando o Estado passa a discutir formas de compensar financeiramente prejuízos recorrentes, abre-se o risco de institucionalizar o dano como algo esperado.

Ou seja, em vez de eliminar o alagamento, cria-se um mecanismo para conviver com ele.

Isso muda completamente o eixo da responsabilidade pública. O foco deixa de ser resolver o problema e passa a ser administrar seus efeitos.

A cidade que investe — mas ainda reage

O discurso oficial aponta avanços, metas e grandes investimentos. A realidade vivida por moradores de áreas vulneráveis, porém, ainda é marcada por perdas materiais, insegurança e repetição de eventos previsíveis.

A ideia do seguro, embora apresentada como alternativa de proteção social, levanta uma questão fundamental:
se a solução estrutural estivesse realmente próxima, ela sequer seria necessária?

Enquanto essa resposta não for clara, a proposta continuará soando menos como política inovadora e mais como um sintoma — o sintoma de que, apesar dos milhões investidos, o problema dos alagamentos ainda está longe de ser resolvido de forma definitiva.

E quando a compensação financeira começa a substituir a solução estrutural, o debate público precisa deixar de ser apenas técnico — e passar a ser, sobretudo, político.

O vereador Tonhão acumula seis mandatos consecutivos e está vereador em Três Lagoas passando pelas gestões das prefeitas Simone Tebet, Márcia Moura e Angelo Guerreiro sendo assim é profundo conhecedor das questões de infraestrutura da cidade passando por diversos ciclos do desenvolvimento de Três Lagoas.

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