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Setembro Amarelo: Neuropsicanalista destaca a importância da prevenção ao suicídio e saúde mental

Entrevista Exclusiva com Especialista Aborda Depressão, Impacto das Redes Sociais e o Papel da Família

Por Henrique Ferian

Três Lagoas, MS – Em um mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio, o Jornal da Manhã de Três Lagoas recebeu em seus estúdios a neuropsicanalista e naturopata Juliana Azeredo para uma entrevista aprofundada sobre o Setembro Amarelo. A especialista abordou temas como a depressão, os fatores que contribuem para o aumento dos casos de suicídio, especialmente entre jovens e idosos, e a importância do apoio familiar e profissional na busca por ajuda. A conversa ressaltou a urgência de quebrar tabus e promover uma escuta ativa para aqueles que sofrem.

A Depressão como Principal Causa de Suicídio

Juliana Azeredo iniciou a entrevista explicando a complexidade da depressão, muitas vezes confundida com um simples estado de tristeza. Segundo ela, a principal característica da depressão é a perda de vontade de realizar atividades que antes proporcionavam prazer. “A principal característica da depressão é a falta de vontade de fazer coisas que antes a pessoa sentia muito prazer em fazer”, afirmou Azeredo. Ela destacou que, embora existam outros fatores, a depressão é a maior causa de suicídio no mundo. A campanha Setembro Amarelo, que teve origem nos Estados Unidos em 1994 após o suicídio de um jovem de 17 anos, foi implementada no Brasil em 2015 para dar visibilidade a essa discussão vital.

O Tabu e a Busca por Ajuda Profissional

A neuropsicanalista lamentou o atraso na implementação da campanha no Brasil e o grande tabu que ainda cerca a saúde mental. Muitas pessoas, por medo ou vergonha, evitam procurar ajuda psicológica. Juliana Azeredo fez uma analogia impactante: “Se você tem um problema cardíaco, você não fica esperando, não é verdade? Se você tem uma diabetes, você vai tomar um remédio para diabetes, por que não para problemas psicológicos, né?” Ela enfatizou que a terapia é o tratamento mais eficaz para a depressão, superando, em muitos casos, a eficácia dos medicamentos, que devem ser considerados como último recurso devido aos seus efeitos colaterais. A fé, embora importante, não substitui a necessidade de tratamento profissional para questões de saúde mental.

Jovens e Idosos: Grupos de Risco e Fatores Contribuintes

Os números de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos são alarmantes, e Juliana Azeredo apontou uma combinação de fatores para essa realidade. A genética, que indica uma desordem bioquímica no cérebro, é um dos principais. Somam-se a isso o impacto das redes sociais, que comprovadamente elevam os níveis de ansiedade, a desestruturação familiar e a má alimentação. “Juntando isso com fatores biológicos, redes sociais, e alimentação ruim, hoje a gente sabe que nossa alimentação ela é péssima, juntando isso, dá um pacote completo para jovens desenvolverem depressão”, explicou. Ela também alertou para o aumento significativo de suicídios entre idosos acima de 70 anos, cujos sintomas são mais discretos e, por vezes, não percebidos pela família.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP) do Mato Grosso do Sul revelam 211 suicídios no estado até agosto, sendo 80 entre jovens e adolescentes (12 a 29 anos), 109 entre adultos (30 a 59 anos) e 18 entre idosos (acima de 60 anos). No Brasil, a média é de 38 suicídios por dia, e cerca de 6% da população brasileira sofre de depressão, um número que pode ser ainda maior, já que muitos não procuram ajuda.

O Papel da Família e a Escuta Ativa

A neuropsicanalista destacou a dificuldade dos pais em acompanhar a vida dos filhos nas redes sociais, onde muitos jovens expressam seu sofrimento. Ela aconselhou os pais a buscarem ajuda psicológica ao menor indício de problemas, como automutilação ou envolvimento com drogas e álcool. Sobre como abordar alguém com pensamentos suicidas, Juliana Azeredo enfatizou a importância da escuta ativa. “O mais importante para uma pessoa que tá sofrendo é ter uma escutativa”, disse. Ela ressaltou que, muitas vezes, a pessoa só precisa ser ouvida, sem julgamentos ou interrupções. Pedir ajuda é um ato de coragem, e a conversa pode salvar vidas.

Práticas Naturais e a Formação da Personalidade

Além da terapia e, se necessário, medicação, Juliana Azeredo mencionou práticas naturais que podem auxiliar no alívio dos sintomas da depressão, como atividades físicas (mesmo uma caminhada de 30 minutos), tempo de qualidade com familiares, alimentação saudável e contato com a natureza e animais. Ela reforçou que o cérebro é neuroplástico e pode ser treinado para reencontrar o prazer nas coisas. “O cérebro é treinável, e leva tempo, leva, dá trabalho, dá, mas é assim que a gente consegue sair desse desse nível”, afirmou.

A especialista também abordou a importância da formação da personalidade na infância, especialmente entre os 4 e 8 anos de idade. Nesse período, os pais e cuidadores primários são fundamentais para enraizar a moralidade, os bons costumes e a vida social. A ausência dessa base pode gerar problemas na adolescência. “Se não é você que coloca esse senso de moralidade no seu filho, esse senso de de bons costumes, de sociedade, de sociedade, né? Depois passou disso, aí fica mais complicado, vai dar um pouco mais de trabalho”, alertou.

O Papel das Escolas e a Mensagem Final

Juliana Azeredo observou que as escolas têm avançado na abordagem da saúde mental, com a implementação de programas e palestras. Ela relatou que crianças de 10 a 12 anos já expressam tristeza profunda e ansiedade, sendo o Brasil o país mais ansioso do mundo. A neuropsicanalista finalizou com uma mensagem de esperança e encorajamento: “Ninguém precisa enfrentar o sofrimento sozinho.” Ela incentivou a oferecer ajuda a quem precisa e, para quem sofre, a quebrar o silêncio. “O silêncio ele pode matar. E a conversa ela pode salvar.” A fala, ou a “cura pela fala” na psicanálise, é essencial. E, para aqueles que creem, buscar a Deus também é um caminho. A vida, em todas as suas formas, vale a pena ser vivida e protegida.

Confira a entrevista:

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