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Sessão marcada por clima tenso após prejuízos em bairros da cidade reforça cobrança direta ao Executivo; Sargento Rodrigues atribui responsabilidade total à Prefeitura, defende contratação de especialistas e levanta debate sobre a estrutura técnica já existente na gestão municipal.
Por Henrique Ferian
Três Lagoas (MS) — A chuva de mais de 80 milímetros registrada na madrugada desta terça-feira (24) voltou a expor a vulnerabilidade da infraestrutura urbana de Três Lagoas. Casas foram invadidas pela água, moradores registraram prejuízos e as redes sociais se encheram de relatos de desespero em diferentes bairros.
Horas depois, o tema dominou a sessão da Câmara Municipal, realizada na manhã do mesmo dia, em um ambiente marcado por tensão política e forte pressão pública. A maioria dos vereadores afirmou que a responsabilidade pela drenagem urbana é da Prefeitura — e não do Legislativo.
Entre as falas mais contundentes esteve a do vereador Sargento Rodrigues, líder do prefeito na Câmara, que classificou os alagamentos como um problema histórico e ainda sem solução, apesar de anos de obras e investimentos.
Problema crônico e investimentos que não resolvem
Em tom crítico, Rodrigues afirmou que o sofrimento da população atravessa diversas administrações municipais e permanece mesmo após investimentos milionários em drenagem e piscinões.
Ele citou sucessivos governos e declarou que o problema nunca foi efetivamente solucionado.
“A população vem sofrendo há décadas. Isso não aconteceu este ano. Passaram várias administrações e não vejo amenizar quase nada o sofrimento da população três-lagoense”, afirmou.
O vereador relatou perdas materiais, casas invadidas pela água e repetição do mesmo cenário a cada chuva mais intensa.
Responsabilidade atribuída integralmente à Prefeitura
O ponto central do discurso foi a definição direta de responsabilidade institucional.
Segundo o parlamentar, a drenagem urbana é atribuição exclusiva do Executivo municipal.
“A responsabilidade de drenagem é 100%, não é 99%, é 100% do Executivo.”
Rodrigues afirmou que os vereadores são procurados pela população, visitam locais afetados e cobram providências, mas não possuem competência para executar obras.
A posição foi reforçada ao longo da sessão por outros parlamentares, consolidando o entendimento predominante de que a solução estrutural depende da administração municipal.
Defesa de engenharia especializada e aprofundamento técnico
Como principal caminho para enfrentar o problema, o vereador defendeu a contratação ou mobilização de engenheiros altamente especializados em drenagem e áreas específicas da engenharia urbana.
Ele comparou a situação à medicina, onde há profissionais com especializações distintas, e afirmou que a cidade precisa de estudos técnicos mais profundos e direcionados para reduzir os impactos das chuvas.
Segundo Rodrigues, o município deve buscar “o que tem de melhor” em engenharia para amenizar grande parte dos alagamentos.
A defesa por reforço técnico especializado surge em um contexto administrativo específico.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura — responsável pelas obras de drenagem e pavimentação — é comandada por um engenheiro civil que ocupa o cargo há cerca de uma década.
Na própria fala, Rodrigues reconheceu que o secretário possui formação técnica e realiza seu trabalho, mas afirmou que a cidade precisa de estudos mais profundos conduzidos por especialistas específicos em drenagem.
O argumento estabelece um ponto de tensão dentro do próprio debate:
o problema é atribuído integralmente ao Executivo, e a solução proposta envolve aprofundamento técnico adicional, embora a área já seja dirigida por um profissional da engenharia com longa permanência no comando da estrutura responsável pelas obras.
Crítica histórica e apoio à gestão atual
Embora tenha responsabilizado administrações sucessivas pela falta de solução definitiva, o vereador adotou tom diferente ao tratar da gestão atual.
Ele afirmou que o prefeito também sofre com a situação, destacou que o governo ainda está em fase inicial e defendeu apoio às ações do Executivo.
Rodrigues também declarou que o passado deve ficar “no retrovisor” e que o foco deve ser olhar para frente — mesmo após citar gestões anteriores como parte do histórico do problema.
Legislativo limitado e pressão popular crescente
Durante a sessão, o vereador descreveu o papel dos parlamentares como restrito à cobrança e à representação das demandas da população.
Segundo ele, a Câmara funciona como “voz do povo” e “grito de socorro”, mas não possui autonomia para executar intervenções diretas.
O clima político refletiu a pressão social provocada pela chuva da madrugada. Vereadores relataram ter recebido ligações, vídeos e pedidos de ajuda durante a noite, o que elevou o tom das discussões.
Críticas à comunicação administrativa e elogios pontuais
O discurso também abordou a relação entre vereadores e secretarias municipais.
Rodrigues afirmou que, em muitos casos, há demora ou dificuldade de resposta por parte de secretários, o que prejudica o encaminhamento de demandas da população.
Apesar disso, fez elogio específico à Secretaria de Infraestrutura pela melhoria recente na resposta a ofícios enviados pelos parlamentares.
Repetição do problema e cobrança por soluções estruturais
Ao final da sessão, o cenário apontado foi de consenso quanto à gravidade do problema e à recorrência dos alagamentos.
O que permanece em debate é a forma de enfrentamento:
enquanto a responsabilidade é atribuída integralmente ao Executivo, a principal solução defendida envolve reforço técnico especializado dentro de uma estrutura administrativa que já é tecnicamente comandada por engenheiro há cerca de dez anos.
Com novos prejuízos registrados após mais um episódio de chuva intensa, a discussão sobre drenagem urbana volta ao centro do debate político em Três Lagoas — agora sob pressão ampliada por resultados concretos e duradouros.