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Em entrevista ao vivo nos estúdios da Jovem Pan Três Lagoas, o empresário e fundador da Play 55, Kuesley Fernandes, compartilhou sua trajetória no setor de tecnologia, o crescimento do mercado de apostas e sorteios digitais no Brasil e os impactos da inteligência artificial (IA) no futuro do trabalho, da educação e da sociedade.
Por Henrique Ferian
Kuesley é conhecido por sua atuação também na área educacional, mas desde jovem encontrou na tecnologia e no empreendedorismo suas grandes paixões. “Comecei aos 14 anos, e desde então nunca mais saí desse mundo. A tecnologia, a educação e o empreendedorismo são três pilares que me movem todos os dias”, contou.
A Play 55 surgiu em 2019, após Kuesley desenvolver um aplicativo de sorteios para uma marca em Brasília. O projeto deu tão certo que se transformou em negócio. “Percebemos que havia uma demanda enorme de empresas que não tinham presença digital. Então criamos uma plataforma white label, ou seja, entregamos aplicativos personalizados para que cada marca pudesse vender seus produtos no ambiente online”, explicou.
A empresa rapidamente se consolidou no setor e hoje fornece tecnologia para três das quatro loterias estaduais existentes no Brasil. “O mercado está apenas começando. Só em 2025, o governo federal arrecadou cerca de R$ 4 bilhões em outorgas de casas de apostas. É uma fonte de receita que não tem volta”, destacou.
Embora tenha sido um período desafiador para a humanidade, Kuesley reconhece que a pandemia impulsionou os negócios digitais. “Com as pessoas em casa, aumentou a procura por plataformas online. O digital cresceu de forma astronômica, e nós estávamos preparados para atender essa demanda”, relembra.
O empresário comentou também sobre a recente regulamentação das apostas esportivas no Brasil, destacando tanto o potencial econômico quanto os riscos sociais.
Segundo ele, a atuação de influenciadores digitais nesse mercado trouxe problemas. “Muitos divulgavam apostas como se fossem solução financeira milagrosa, e isso gerava vícios. A nova lei já proíbe influenciadores e jogadores em atividade de fazerem esse tipo de promoção. Acho que é um avanço importante. Apostar deve ser visto como entretenimento, nunca como uma saída para dívidas”, alertou.
Um dos pontos centrais da entrevista foi a discussão sobre inteligência artificial. Kuesley participou recentemente de um curso sobre o tema em São Paulo e compartilhou um dado curioso:
“O CEO da Nvidia disse que, de 0 a 100, ainda não chegamos nem em 1% do potencial da IA. Ou seja, estamos apenas engatinhando.”
Para ele, a IA não vai substituir empregos em massa, mas criar novas oportunidades. “Na Play, já usamos agentes de IA para agilizar processos de marketing e redação. A ideia é liberar tempo dos colaboradores para tarefas mais estratégicas. É uma ferramenta de auxílio, não de substituição”, defendeu.
Por outro lado, ele também apontou riscos, especialmente ligados à disseminação de fake news. “Com IA é possível criar vídeos e áudios falsos de forma muito convincente. Isso exige atenção redobrada da sociedade”, pontuou.
Como educador, Kuesley defende mudanças na base curricular brasileira. “A escola ainda é muito conteudista. Precisamos ensinar empreendedorismo, educação financeira e inovação desde cedo. Outros países já avançaram nesse sentido. No Brasil, ainda estamos presos a disciplinas que pouco preparam os jovens para o mundo real”, disse.
Ele também acredita que o ensino de tecnologia e IA deveria ser parte obrigatória da formação. “É um mercado que cresce muito e paga bem. Temos exemplos em Três Lagoas de jovens talentos que começaram ganhando pouco e hoje recebem salários acima de R$ 15 mil. A oportunidade existe, só precisamos investir mais na formação e retenção desses profissionais.”
Sobre o cenário local, Kuesley avaliou positivamente o papel das instituições de ensino. “Temos universidade federal, instituto federal, sistema S, além de faculdades particulares. A formação é boa. O desafio é reter esses talentos aqui. Muitas vezes, depois de capacitados, eles vão embora para trabalhar em grandes empresas ou até no exterior”, disse.
A tecnologia não tem limites visíveis no curto prazo. Da regulamentação das apostas à revolução da inteligência artificial, passando pela educação e pelo mercado de trabalho, Kuesley Fernandes reforçou que o desafio está em equilibrar inovação, ética e oportunidades.
“Estamos só no começo. O futuro da tecnologia será escrito por quem souber unir conhecimento, inovação e responsabilidade”, concluiu o fundador da Play 55.
Confira a entrevista: