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Cidade cresce, mas sistema climático regride: estações sucateadas e convênios rompidos.
Por Henrique Ferian
Três Lagoas enfrenta hoje um cenário de fragilidade na sua estrutura de monitoramento meteorológico. Equipamentos funcionando de forma precária, estações desatualizadas e a interrupção de serviços oficiais colocam o município em uma situação de vulnerabilidade justamente em um período marcado por eventos climáticos cada vez mais extremos.
CEMADEN: monitoramento comprometido
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) mantém dois pontos de medição em Três Lagoas. Operam com pluviómetros automáticos instalados na UPA e na Escola Ramez Tebet. Segundo informações constatadas, ambos apresentam funcionamento precário e um está inoperante há anos.
Esses sensores são fundamentais para registrar o volume de chuva em tempo real, subsidiando alertas de risco para alagamentos, enxurradas e outros eventos extremos. Quando operam de forma irregular, comprometem a confiabilidade dos dados e, por consequência, a capacidade de resposta preventiva.
INMET: estação automática com falhas
A estação automática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), localizada no bairro Nossa Senhora Aparecida, também enfrenta problemas técnicos. O equipamento, considerado estratégico para a inserção de dados oficiais de Três Lagoas no Sistema Nacional de Meteorologia, opera com aparelhos antigos e falhas registradas no pluviômetro, no sensor de temperatura, ventos e no sensor de umidade relativa do ar.
Na prática, isso significa que os dados meteorológicos oficiais do município podem estar incompletos ou imprecisos, impactando desde estudos climáticos até decisões técnicas nas áreas de agricultura, defesa civil, planejamento urbano e gestão hídrica.
REDEMET fora do ar após fim de convênio
Outro ponto que demonstra clara falta de interesse nesse caso da administração municipal é a não renovação do convênio entre Prefeitura(Aeroporto Plinio Alarcom) com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), responsável pela REDEMET — Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica. Com o encerramento do contrato, o serviço deixou de operar no município.
A REDEMET fornece informações meteorológicas oficiais voltadas especialmente à aviação, mas que também são amplamente utilizadas por setores estratégicos da economia local. A ausência desse serviço representa uma lacuna relevante, sobretudo para o Aeroporto de Três Lagoas, que passa a depender de arranjos alternativos ou dados externos.
Impactos práticos
A soma desses fatores cria um cenário preocupante:
Redução da confiabilidade dos dados pluviométricos.
Fragilidade na emissão de alertas preventivos.
Perda de inserção qualificada de dados locais nos sistemas nacionais.
Risco operacional para setores que dependem de informação meteorológica oficial.
Em uma cidade que já enfrentou episódios de alagamentos significativos nos últimos anos, a precarização da rede de monitoramento meteorológico contraria a lógica da prevenção e da gestão baseada em dados.
A meteorologia não é apenas uma questão técnica: é ferramenta de planejamento urbano, defesa civil e segurança pública. Quando os equipamentos falham ou deixam de operar, o município perde capacidade de antecipação — e quem paga a conta é a população.