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Na primeira sessão do ano, Marcos Silva defende investimento no básico e critica eventos enquanto problemas estruturais persistem
Por Henrique Ferian
Na sessão da Câmara Municipal de terça dia 10 de fevereiro, o vereador Marcos Silva fez um pronunciamento direto sobre o que considera uma inversão de prioridades na gestão pública de Três Lagoas. A fala foi marcada por críticas ao uso de recursos em eventos festivos enquanto, segundo ele, problemas estruturais continuam sem solução — e por uma defesa enfática de que a população precisa ser ouvida antes da definição dos gastos públicos.
Durante o discurso, o vereador deixou claro qual, na visão dele, deve ser a ordem das prioridades do município.
“Saúde e infraestrutura é a base. A gente precisa fazer aquilo que é o básico.”
Ele afirmou que, se estivesse à frente do Executivo, não destinaria recursos para festas enquanto a cidade enfrenta demandas estruturais.
“Por mim, Marco Silva, te juro… eu não faria nenhuma festa. Que festa o quê? Vai na rua, a população não quer saber de festa, não. Organizava a casa.”
O vereador disse que não se trata de populismo, mas de prioridade administrativa diante da realidade enfrentada por moradores em diferentes regiões da cidade.
Marcos Silva citou situações em que moradores perdem bens após alagamentos e enfrentam problemas urbanos recorrentes. Diante disso, questionou a lógica de promover eventos enquanto parte da população convive com prejuízos e falta de soluções estruturais.
“Quando as pessoas perdem os bens que demoraram anos para construir, a gente vai falar para ela: ‘Tudo bem, aconteceu isso, mas semana que vem tem um evento festivo’? Como é que eu vou falar isso para a pessoa?”
Para o parlamentar, investimentos estruturais deveriam vir antes de qualquer programação festiva.
Um dos pontos centrais do pronunciamento foi a defesa de participação direta da população nas decisões sobre aplicação de recursos públicos.
O vereador afirmou que a administração municipal deveria consultar os moradores antes de definir se o dinheiro será usado em eventos ou em serviços essenciais.
“A população quer que gaste o dinheiro… ouve a população, pergunta, faz uma enquete.”
Ele sugeriu que o poder público apresente escolhas claras para a sociedade.
“Eu tenho um recurso… para fazer um evento festivo ou para fazer manutenção de um postinho. Vocês gostariam que eu utilizasse para isso ou para isso? Vocês é que definem.”
Segundo ele, a decisão deve respeitar a vontade da maioria.
“Eu vou ouvir a maioria da população. Não é a maioria que vence?”
O vereador também afirmou que não há impedimento para mudar a destinação de recursos, desde que haja aprovação legislativa.
“Todo recurso pode ser direcionado para outra pasta, desde que passe por essa Casa… pode ser remanejado.”
Para ele, isso permite que a gestão ajuste prioridades conforme as necessidades reais da cidade.
Marcos Silva disse ainda que não aceita a normalização de problemas antigos sem solução.
“Aquilo que é errado está errado… não pode se tornar paisagem.”
E reforçou que não pretende passar o mandato ouvindo justificativas baseadas no argumento de que sempre foi assim.
Ao longo do discurso, o vereador insistiu que a cidade precisa concentrar esforços no essencial antes de qualquer outro tipo de investimento.
“Quem faz o básico não erra.”
Para ele, organizar infraestrutura, drenagem, pavimentação e serviços essenciais é o que a população espera da gestão pública.
A fala, feita em sessão extraordinária, coloca em debate direto a forma como o município define suas prioridades — e reforça a cobrança para que decisões sobre gastos públicos considerem, primeiro, as necessidades apontadas pelos moradores.