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Três Lagoas na estrada e no congestionamento rumo ao show do Guns N’ Roses - Difusora FM 99.5

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Três Lagoas na estrada e no congestionamento rumo ao show do Guns N’ Roses

Por AUGUSTA RUFINO

 

Evento reuniu multidão e confirmou o potencial da capital para grandes shows, mas expôs falhas na infraestrutura e mobilidade que ainda precisam ser superadas

 

Há eventos que marcam pela grandiosidade do palco. Outros, pelo que acontece fora dele. O show do Guns N’ Roses, em Campo Grande, nesta quinta-feira (9), conseguiu ser os dois — e talvez por isso mesmo tenha deixado um gosto agridoce em quem viveu a experiência completa.

Saí de Três Lagoas com destino à capital. Foram cerca de 380 quilômetros percorridos em quase sete horas de viagem. Um deslocamento planejado, organizado, com a expectativa de viver um grande espetáculo com segurança e tranquilidade. Afinal, optar por um transporte coletivo era também uma escolha consciente: menos carros nas ruas, menos riscos, mais fluidez.

Na teoria.

Na prática, a chegada a Campo Grande expôs uma realidade que não pode mais ser ignorada. O acesso pela BR-262, especialmente na região do autódromo, transformou um trajeto de cerca de 20 quilômetros em uma espera de mais de sete horas. Um congestionamento que não era apenas de veículos, mas de planejamento.

Dentro de um ônibus, vi o tempo escorrer. Vi a ansiedade crescer. Vi, principalmente, a decisão difícil de desistir do percurso. Desci no meio do caminho. Como tantos outros.

Do lado de fora, a cena era quase cinematográfica: pessoas caminhando por quilômetros, tentando não perder o show; mototaxistas cobrando valores que variavam de R$ 10 por quilômetro a R$ 100 por trechos curtos; uma multidão improvisando soluções diante da falta de estrutura.

O show, previsto para às 20h30, começou às 22h30. O Raimundos, na abertura, cumpriu o horário — e muita gente, inclusive eu, não viu. Outros sequer chegaram a tempo de assistir ao Guns N’ Roses. Alguns desistiram. Outros chegaram no fim. Só não perdeu quem foi a pé ou encontrou uma moto no caminho.

É preciso dizer: Campo Grande mostrou que tem público. Foram cerca de 35 mil pessoas. Mostrou também que há interesse, mobilização, paixão. Mas evidenciou, com a mesma intensidade, que ainda não está preparada — ao menos em alguns aspectos — para eventos desse porte, especialmente em locais com acesso limitado.

Faltou logística. Faltou planejamento viário. Faltou pensar no básico: fluxo, mobilidade, alternativas. Talvez até uma pista exclusiva para ônibus, que poderiam, inclusive, ajudar a reduzir o número de carros e organizar melhor o trânsito.

Mas em meio ao caos, houve um espetáculo paralelo — e esse, digno de aplausos. A cobertura jornalística do Campo Grande News foi, sem exagero, um dos grandes destaques do evento. Em tempo real, com equipe nas ruas, no aeroporto, nos hotéis, antecipando cenários, informando, vivendo o mesmo perrengue que o público.

O repórter Samuel Izidoro, do Lado B, simbolizou esse esforço. Chegou de moto, enfrentou o trânsito, registrou, apurou e, ao fim de tudo, ainda entregou conteúdo com a agilidade que o jornalismo exige. Acompanhei tudo pelas redes e pelo portal. Foi serviço, foi presença, foi jornalismo na essência.

E o show? O show foi grandioso. Não como na adolescência, quando tudo parecia maior, mais intenso, mais absoluto. Hoje, com outros olhares, outras experiências, talvez a emoção seja diferente — mas não menor.

Os clássicos continuam lá. As guitarras, precisas. As vozes, marcadas pelo tempo, mas ainda potentes. Há algo de muito verdadeiro quando artistas que sabem fazer um espetáculo sobem ao palco. E isso permanece.

Sou roqueira. Sou locutora. Sou jornalista. Vivi o caos, atravessei quilômetros, improvisei caminhos. Saí do show e retorno direto para os estúdios da Jovem Pan 99,5 FM e para o portal do Grupo Difusora. Porque essa também é a missão: contar o que aconteceu, como aconteceu — e por que não pode se repetir da mesma forma.

Entre o caos e o espetáculo, fica o aprendizado. Campo Grande mostrou que pode. Agora, precisa provar que está pronta.

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